Espetáculo usa dança e música para entender as várias culturas brasileiras

Brasil, no exterior, é sinônimo de samba, carnaval e clima tropical. Nada mais distante das colônias de imigrantes que existem na região Sul, ou do inverno curitibano. A intersecção de ambas as coisas é o que a performer e diretora Mari Paula explora em Retrópica, espetáculo que mistura dança e música e que terá duas temporadas em Curitiba em setembro, uma na Casa Selvática e a outra na Casa Hoffman.
Mari sempre esteve próxima do tema. Bailarina, ela se formou pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP), e conta que desde a faculdade, discutia com os colegas a dificuldade de reduzir a cultura brasileira a uma única estética. “O espetáculo foca um pouco em como o Brasil é visto. Nós temos uma cultura tipo exportação, e ela não é vista pela dança gaúcha, por exemplo”, reflete a diretora, que pretende “retropicalizar” a ideia de cultura com o espetáculo, citando influências como Caetano Veloso para lembrar que, antes de tudo, o país é resultado de influências misturadas, que começam com a divisão do território entre Espanha e Portugal pelo Tratado de Tordesilhas, em 1492.
O espetáculo será formatado também pelos espectadores: a produção vai fazer oficinas em que os movimentos corporais dos participantes serão explorados e também incorporados à Retrópica, que quer também refletir sobre como o histórico de formação cultural do Brasil é importante na maneira como os brasileiros se colocam corporalmente. Parte das oficinas foi feita na Espanha, onde Mari Paula morou e estudou, mas ela conta que aqui elas foram mais diretas, sem a necessidade de introduzir artistas performáticos da MPB, como Ney Matogrosso.
A produção do espetáculo tem apoio da Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra (ABABTG). Mari Paula foi bailarina no Guaíra durante nove anos, e a associação decidiu apoiar a inscrição de Retrópica em editais de fomento cultural. O projeto venceu uma concorrência da Funarte em 2015, e agora, chega aos palcos com apoio tanto da ABABTG quanto da Casa Selvática, que cedeu espaço e tem vários membros no elenco.
Mari Paula diz que não quer “reinventar a roda”, mas pensar a formação da expressão corporal do brasileiro utilizando as origens culturais e até étnicas do país. E ela acredita que a cultura pode ter um papel importante, até mesmo de resolução de alguns problemas, em um “mundo em crise”, citando questões como a crise migratória na Europa e a econômica no Brasil. “Queremos entender qual é a potencialidade da cultura em um momento como esse”, diz.
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