Em monólogo, Elizabeth Savalla apresenta comédia sobre ditadura da beleza no Guaíra

Ninguém quer envelhecer. E, contra as crueldades do tempo, muitos homens e mulheres se tornam reféns de serviços estéticos tentando minimizar suas angústias. É sobre isso que trata a peça A.M.A.D.A.S (Associação de Mulheres que Acordam Despencadas), monólogo interpretado pela atriz Elizabeth Savalla que será apresentado no Teatro Guaíra, no próximo domingo (30), às 19h.
Na peça, a protagonista expõe suas inseguranças geradas pela impossibilidade de conservar o visual da juventude. “Fora dos palcos, às pessoas estão preocupadas com a juventude eterna, como se isso fosse possível. Tomam mais anabolizantes, gastam com produtos estéticos. Isso não vai salvar ninguém”, fala. Para a atriz, a comédia é uma das melhores formas de crítica social. “Com ela (a comédia), conseguimos chegar mais rápido ao coração das pessoas”, fala.
Assim que leu o texto da montagem ao lado do seu marido Camilo Attila, em uma viagem à Angra dos Reis, Elizabeth percebeu que “daria samba”. “Tem tudo a ver com o meu momento e todas as pessoas envelhecem”.
Depois disso, os dois foram conversar com Regiana Antonini (texto) para fazerem algumas adaptações e começaram a trabalhar. “Foi muito rápido, em três semanas colocamos o pé na estrada”, fala. Agora, já são cinco anos em cartaz depois de passar por praças e começar a trajetória em teatros. Em Curitiba, a montagem passou pelo Guairinha no último ano, em duas apresentações.
Envelhecimento
“Eu tive sorte de envelhecer na televisão porque quem me acompanhou passou por isso comigo”. Quando estreou na TV Globo, com Gabriela (1975), tinha 20 anos. “As pessoas viram toda a minha mudança nestes 42 anos”. Há pouco tempo reprisaram a novela Pai Herói (1979), que a atriz participou aos 24 anos. “É no mínimo chocante, porque o personagem está muito distante do que eu sou hoje. É legal ver como lembrança. Hoje eu seria uma avó”.
Elizabeth se diz bastante tranquila com relação a sua aparência e conta que nunca teve cuidados excessivos. “Eu fazia a vaidade na novela Sete Pecados (2007). Brincava que, na vida real, era o oposto disso”. Com quatro filhos, a atriz nunca deixou de trabalhar e detesta ir ao salão ou precisar passar cremes: “eu vivo no Rio de Janeiro. Passar creme deixa a gente melecada. E, na minha época de jovem, não tínhamos consciência sobre o câncer de pele – a gente quase nem usava protetor solar”.
Curitiba
“Estou muito feliz porque esta é a minha primeira vez no Guaíra”, diz. Para ela, Curitiba é uma cidade especial porque as pessoas gostam de teatro. “Há muitos anos e até na época da ditadura, muitos políticos como o Ney Braga investiram muito em teatro. E a formação de plateia é essencial”.
Curitiba sai mais barata com o Clube
Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.
Assinar o Clube Gazeta



