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"Falta vontade de se produzir programas com conteúdo de qualidade para as crianças", diz ator do Castelo-Rá-Tim-Bum

·4 min de leitura·Sharon Abdalla
"Falta vontade de se produzir programas com conteúdo de qualidade para as crianças", diz ator do Castelo-Rá-Tim-Bum

"Morcego, ratazana, baratinha e companhia. Está na hora da feitiçaria!". Com a célebre frase do relógio, que não deixava nenhum dos habitantes do Castelo Rá-Tim-Bum se atrasar, o ator Fernando Gomes trouxe a nostalgia dos anos 1990 para dentro do Geek City.

Acompanhado dos também artistas Rosi Campos (a eterna Bruxa Morgana), Eduardo Silva (que dava vida a Bongô), e Flávio de Souza (intérprete de Tíbio e um dos criadores do programa), ele compartilhou lembranças, curiosidades e reviveu, na voz, outros personagens icônicos do Castelo, como o Gato Pintado, no painel “Senta que lá vem a história”, um dos mais aguardados deste domingo (2), último dia de Geek City. 

Durante uma hora, eles compartilharam com uma platéia lotada histórias, memórias e curiosidades sobre as gravações dos iniciais 70 e posteriores 90 episódios do programa, que até hoje, passadas quase três décadas de sua estréia na TV Cultura, angaria fãs por todo o país. 

“É muito legal e desafiador estar aqui. Vejo isso como uma luz no fim do túnel, uma renovação de público, mesmo [o Castelo tendo uma] linguagem tão diferente da que vemos hoje na internet. Ainda há esse carinho, respeito e ele é muito bem recebido dentro deste universo, que está tão distante do daquela época”, avalia Fernando Gomes sobre a presença do elenco dos antigos programas da TV Cultura no evento voltado à cultura nerd. “Quantas gerações foram formadas pelo Castelo? Ele era um lugar de acolhimento. Ensinava de maneira divertida, tratava cada tema de maneira profunda, era algo bonito e muito bem feito. Daí se eternizou”, acrescenta Rosi Campos, que afirmou ter na Bruxa Morgana o “papel da sua vida”. 

Um clássico

A qualidade que envolvia a produção do Castelo Rá-Tim-Bum foi bastante destacada pelo elenco durante o bate-papo com o público, que também pôde conferir depoimentos em vídeo de Marcelo Tas (que interpretava o Professor Tibúrcio) e Henrique Stroeter (o cientista Perônio). Ela estava presente do roteiro, que englobava temas relacionados à arte, música, dança e à alfabetização infantil de forma lúdica, à preparação dos atores, como lembrou Rosi. “[A gravação dos] programas era acompanhada por professores de Língua Portuguesa, porque na TV Cultura não se podia falar errado, ainda bem”, enfatizou Rosi.  

A complexidade e desafios das gravações também não foram esquecidos, uma vez que o Castelo envolvia um universo de inúmeros pequenos programas dentro dele, como a Dedolândia, Que Som É Esse? (os Passarinhos) e as fadas Lana e Lara, para citar alguns. 

“Isso fazia com que alguns dos atores, como eu, gravassem todos as cenas do seu personagem em um mês. Enquanto as crianças, que apareciam em quase todas elas, gravaram por mais de um ano”, lembra Eduardo Silva. 

No que diz respeito às questões mais práticas, foram listados desde o calor excessivo durante as gravações, resultado da ausência de ar-condicionado no set de gravação e do detalhamento dos figurinos, até a escala humana do cenário (inspirado nas obras do arquiteto catalão Antoni Gaudí), que fazia com que os manipuladores dos fantoches, como a Cobra Celeste e o Gato Pintado, tivessem que se desdobrar para dar vida aos personagens. 

“Eu colocava meu braço no meio da poltrona e ficava com o restante do corpo deitado no chão, sob um monte de livros. Então, quando vocês virem uma cena [do Gato Pintado] na biblioteca em plano mais aberto e aparecerem muitos livros no chão, podem saber que eu estava ali embaixo”, brincou Fernando Gomes. 

Novos projetos 

Sobre a possibilidade de reviver o Castelo Rá-Tim-Bum com uma nova roupagem ou de assinar outro trabalho voltado ao público infantil, Flávio de Souza, que também foi roteirista dos programas Mundo da Lua e Rá-Tim-Bum, coloca o orçamento como um dos principais entraves. “Tenho uma gaveta cheia de projetos. Estes programas tiveram um patrocínio muito grande. Hoje seria muito difícil se fazer [algo semelhante]. Naquela época haviam mais funcionários, mais euipamentos, mais um monte de coisas que, agora, não tem porque foi cada vez mais faltando mais dinheiro”, enfatiza.  

“Acredito que tenha esta nostalgia em se guardar com tanto carinho esta pureza que o Castelo tinha e que hoje a gente não encontra tanto [nos programas] voltados para as crianças. Mas acho que o problema maior é a falta de vontade de se produzir programas com conteúdo de qualidade para as crianças”, completa Fernando. 

Cultura nerd 

A segunda edição do Geek City teve início na última sexta-feira (31) e se estendeu até este domingo (2) no Expo Renault Barigui, em Curitiba. A programação, que atraiu cerca de 30 mil pessoas durante os três dias de evento, contemplou a arena de E-Sport, exposição e comercialização de produtos voltados ao universo nerd, sessões de fotos e autógrafos e painéis com grandes nomes do universo geek. 

Além do elenco do Castelo Rá-Tim-Bum, passaram pelo palco principal atores do grupo Porta dos Fundos, Guilherme Briggs (dublador do personagem Buzz Lightyear, da animação Toy Story) e o ator Carlos Villagrán, que há quase 50 anos dá vida a Kiko, do seriado mexicano Chaves.    
 

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