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Só na locadora: veja a lista com 10 filmes que você não vê na Netflix

·5 min de leitura·Sandro Moser
Só na locadora: veja a lista com 10 filmes que você não vê na Netflix

Um hábito da maioria das famílias e um ótimo negócio entre as décadas de 1980 e 2010, as locadores de vídeo enfrentam a sua maior crise desde que este mercado foi inventado.

A concorrência é pesada contra downloads na internet (legais ou não), DVDs piratas, serviços de streaming como a Netflix e o acesso cada vez mais facilitado da TV por assinatura. Opções que, além de agilidade e conforto, oferecem vantagens financeiras.

Porém, algumas lojas conseguem manter sua operação de pé apostando em um diferencial: um catálogo bem variado de filmes raros e clássicos dos qual os verdadeiros cinéfilos não abrem mão.  

A Cartoon Vídeo no bairro do Cabral (Rua São Pedro, 347) tem 18 mil filmes em seu catálogo e mais de 200 mil clientes cadastrados.

"A gente aposta no acervo diferenciado. Temos todos os gêneros de filmes europeus, orientais, filmes de arte, clássicos. Temos filmes raríssimo que você não encontra em outo lugar. Nosso público é fiel e são dois perfis: um é aquele que gosta de ir à locadora e todo o ritual que isso envolve, e outro é o que quer ver ou rever um filme e não o encontra em outras plataformas, mas sabe que aqui tem”, conta Neivo Zanini, proprietário da Cartoon.

Locadora mais antiga da América Latina ainda em atividade, a Video 1 faz a mesma aposta. "As pessoas sabem que temos uma cartela permanente com 34 mil títulos. Isso garante ao público uma variedade de escolha que a internet nem sempre pode oferecer com qualidade”, disse Luís Renato Ribas, proprietário da loja. 

Veja abaixo dez opções de filmes clássicos que não estão na Netflix:

O Espantalho (1973)

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1973, foi o primeiro filme que Al Pacino fez depois de brilhar em o Poderoso Chefão no ano anterior. Ao seu lado, Gene Hackman, que tinha levado o Oscar em 1972 por Operação França. O Espantalho é um road movie que conta a história de dois homens que pedem carona numa estrada da Califórnia, Max (Hackman), um ex-presidiário, e Lion (Pacino), um ex-marinheiro. A tensão inicial entre os dois vira amizade entre estes dois perdedores. As atuações são primorosas, assim como a direção de Jerry Schatzberg.

Johnny Guitar (1954)

Johnny Guitar é o faroeste mais cultuado pela crítica de cinema, sobretudo a europeia. O filme de Nicholas Ray quebra as expectativas e cria um drama psicológico e sensual num gênero que é rapidamente associado à simplicidade e violência. Pra começar, toda a trama é centrada em duas mulheres fortes, que se odeiam. Joan Crawford e Mercedes McCambridge (premiada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por A Grande Ilusão, em 1949), uma relação que transparece um sub-texto homossexual. Há ainda a bela canção tema de Victor Young, interpretada por Peggy Lee.

Cinzas no Paraiso (1978)

O roteirista e diretor Terence Malick foi premiado como Melhor Diretor no Festival de Cannes com este drama complexo e trágico, com uma narrativa incomum e excepcional fotografia do cubano Nestor Almendros, que venceu o Oscar naquele ano. O filme lançou Richard Gere que contracena com o dramaturgo recém falecido Sam Shepard.

Down By Law (1986)

I scream, you scream, we all scream for ice cream.  O refrão gruda na memória de quem assiste o filme de Jim Jamursch que conta a história de três homens presos na mesma cela. Um cafetão (Lohn Lurie), um radialista desempregado (o cantor Tom Waits) e um italiano que matou um homem (Roberto Binigni, de A Vida é Bela). Um pequeno clássico.

Phenomena (1985)

Raríssimo filme cultuado do diretor “maldito” italiano Dario Argento, nunca exibido nos cinemas brasileiros. Um filme delirante e ultraviolento sobre uma garota (Jennifer Connely, então com 14 anos) que consegue se comunicar por telepatia com os insetos e que passa a investigar uma série de assassinatos. A trilha sonora é dos gigantes do metal Iron Maiden e Motörhead.

Z (1969)

Marco do cinema político, o roteiro de Jorge Semprun e a direção de Costa-Gavras, se inspiram em acontecimentos reais ocorridos na Grécia em 1963, narrados no livro homônimo de Vassili Vassilikos, sobre a morte de um político, líder esquerdista da oposição ao governo grego da época. O filme mostra como a verdade pode ser recontada por quem detem a narrativa. Probido pela censura no Brasil durante a ditadura, o filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

O discreto Charme da Burguesia (1972)

A comédia tardia e surrealista de Luis Buñuel ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Um grupo de aristocratas tenta se reunir em jantares, e em todas as vezes o jantar não ocorre ou é completamente atrapalhado por situações absurdas. O filme é presença frequente na lista dos melhores filmes do século 20.

O Conformista (1970)

Adaptado do romance homônimo de Alberto Moravia. Na Roma fascista pré-guerra (1938) um homem funcionário do partido fascista (Jean-Louis Trintignant) se casa com uma bela jovem (Stefania Sandrelli). Os dois vão à Paris em lua de mel, mas a viagem, no fundo, é uma missão: ele tem que eliminar um professor que fugiu da Itália assim que os fascistas assumiram o poder. Um dos filmes mais estudados da história do cinema, aclamado pela crítica e ainda muito atual.

O Imperador do Norte (1973)

Os anos 1970 foram mesmo uma das grandes décadas do cinema mundial. O filme se passa durante o período da depressão americana. Lee Marvin é um mendigo veterano especialista em pegar carona em trens. Ele encontra um oponente a altura, Ernest Borgnine, o sádico responsável pela segurança da ferrovia disposto a matar qualquer vagabundo que viaje clandestinamente em seu trem. Dois dos mais interessantes personagens do cinema americano dirigidos com energia por Robert Aldrich.

Viver e Morrer em Los Angeles (1985)

Dirigido por William Friedkin (Operação França e o Exorcista), este policial é cara dos anos 1980. A direção realista mostra a história de um agente federal que pretende se vingar de um falsificador pela morte de um colega. Com a presença dos então desconhecidos Willem Dafoe e John Torturro no elenco, é um filme de ação com roteiro inteligente, feito para o público adulto.

Acervos Cartoon Video e Video 1.

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