Novo espetáculo de Deborah Colker mistura dança, cinema e manguebeat

Cinema, literatura e dança sobem juntas ao palco na montagem do espetáculo “Cão Sem Plumas” de Déborah Colker. Cão sem Plumas é baseado no poema publicado em 1950 pelo escritor João Cabral de Melo Neto.
O espetáculo tem uma única apresentação em Curitiba em Curitiba no dia 1º de novembro, uma quarta, às 21h, no Teatro Guaíra.
A montagem une a literatura de João Cabral, a dança de Deborah e elementos cinematográficos. Os dançarinos dos telões do palco se misturam com os que estão em carne e ossos no palco. Na encenação, os bailarinos estão cobertos de lama, e seus movimentos aludem aos dos caranguejos, animal que vive no mangue que aparece no litoral.
Para Deborah, o espetáculo é, basicamente, de dança e cinema. “É como se a dança do palco o tempo todo invadisse a tela e vice-versa e as possibilidades de proporção que a tela traz de aproximar, distanciar e agigantar as pessoas e as sensações. Com a mesma força, um invade o outro”.
No texto, o poeta pernambucano acompanha o curso do rio Capeberibe que atravessa a cidade de Recife em meio a muita lama e sofrimento do povo proporcional ao descaso oficial.
O poema é triste, cru, árido, cruel e o espetáculo mantém este tom segundo Deborah. “Não tinha como fugir disso, esse espetáculo é um soco no estômago e eu sei disso. Mas também mostra a força e a exuberância desta aridez, desta crueldade e dessa crueza. Esse espetáculo constrói um guerreiro: que luta, teimoso, e que segue a vida”.
Dançando na Manguetown
Para dar a cara da Recife atual Deborah colaborou com o cienasta Cláudio Assis (De Big Jato e Amarelo Manga), e os músicos Lirinha e Jorge du Peixe (Nação Zumbi). "Sim, tem manguebeat, tem Chico Science, tem tudo isso. Conversamos muito, discutimos muito e João Cabral nos uniu de uma forma arrebatadora", diz. Ela conta que a ideia da peça foi cencobeida a muitas mãos.
“Estávamos todos juntos, ali, criando Nosso Cão para trazer João Cabral que está vivo, atual, universal e genial. Um poema contundente, visionário, inteligente e provocador. E te faz ver essa tragédia e essa força: da terra, das pessoas e do céu”, disse.
Ela conta que teve a ideia de fazer o espetáculo após reler o poema que tinha lido apenas na década de 1980. Percebi que Cão é um poema geográfico. Também um manifesto humano e social. Trazer a sensação da lama, da terra craquelada, do mangue, da água e da importância do homem-bicho e do bicho-homem.
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