Shows

Ex-vocalista do AC/DC faz show em Curitiba e conta como entrou e saiu da banda

·5 min de leitura·Sandro Moser
Ex-vocalista do AC/DC faz show em Curitiba e conta como entrou e saiu da banda

Tente se colocar nesta pele: você é um cantor de rock de 20 anos. Um dia vai ensaiar com uns caras novos. A coisa flui bem e no final do primeiro ensaio há uma banda formada. No primeiro ano, a banda começa a fazer sucesso. Você vira uma estrela do rock em seu país. Porém, depois de um tempo e algumas tretas, as coisas não são mais tão legais quanto eram e você resolve sair. Os outros caras continuam, com outro vocalista, e se tornam uma das maiores bandas do mundo. Como você se sentiria? Com remorso? Não se você for Dave Evans, o vocalista fundador do AC/DC.

Dave Evans se apresenta em Curitiba, dia 16 de novembro, no Claymore Highway Bar. “Não tenho nenhum sentimento ruim. Eu tenho uma carreira incrível e longa. A vida é boa para mim e só tem melhorado ano após ano”, disse, em entrevista por e-mail.

LEIA TAMBÉM 

>>> Batizado por Vinícius, Paiol é símbolo cultural de Curitiba 

Quando o repórter insistiu no tema e cita a “síndrome de Pete Best" (o primeiro baterista do Beatles que saiu da banda antes do sucesso), o cantor australiano quase perde o bom humor. “Minha vida é fantástica. Uma comparação com Pete Best é ridícula”, disse. “Bon Scott [o vocalista que o sucedeu] morreu há 38 anos e eu levei minha carreira de uma maneira muito boa. O AC/DC tem outros ex-membros que não conseguiram. Eu sou uma estrela internacional e continuo mandando ver pesado pelo mundo todo”.

Evans fará uma turnê no sul do Brasil entre outubro e novembro e deve fazer mais alguns shows em Curitiba e região. No show, irá cantar suas músicas ao lado do AC/DC e ainda irá realizar um set tributo com as músicas da fase com o Bon Scott.

Para acompanhá-lo, foi criada a South American Badasses, banda brasileira formada por Luciano Pico, guitarrista do Motorocker, e mais Yuri Konopkinas, Fabiano Menon e Sandro Camargo.

Evans já esteve em Curitiba. O cantor lembra que se “divertiu para valer” na cidade em sua última turnê, há 4 anos. Ele chegou a ir a um jogo do Coritiba e posou para fotos no gramado do Couto Pereira com a camisa coxa-branca.

Como entrei e saí do AC/DC

Evans, de paletó listrado, no AC/DC em 1974. 

Evans foi vocalista do AC/DC entre os anos 1973 e 1974. Segundo o cantor, ele era de uma banda de Sidney chamada Velvet Underground e seus colegas de sempre falavam de um ex-guitarrista chamado Malcolm Young — falecido no ano passado — que era “muito talentoso”. Com o fim do VU, Evans respondeu um anúncio de jornal de uma banda que procurava um vocalista.

Quem atendeu o telefone foi Malcolm, que o convidou para um ensaio no subúrbio de Sidney. Lá estavam o baterista Colin Burgess e o baixista Larry Van Kriedt. O ensaio rolou e Evans foi aprovado. Um aperto de mão coletivo e a banda estava formada, ainda sem nome. No ensaio seguinte, Malcom trouxe seu irmão mais novo, Angus, para formar um quinteto. Esta banda foi batizada de AC/DC.

“Todos nós curtíamos as mesmas bandas, como Free, Stones, Beatles e Chuck Berry, então a coisa rolava muito bem. Todos tinham a mesma atitude e energia para queimar”. Ele avalia que contribui para forjar a ideia da banda com seu “senso teatral e performático forte para entreter as plateias”.

O cantor lembra que compôs canções com Malcolm Young. “Ele foi uma grande influência para mim, especialmente por sua atitude 'nunca desista'". Com Evans na formação, a banda teve um hit local, Can I Sit Next To You, Girl?.

A música chegou a ser premiada como a melhor gravação de uma banda de rock australiana de 1974.

Ele gravou outras com como Rockin' In The Parlour, Soul Sripper, Rock N Roll Singer and Little Lover. Ná época, o número final dos shows era o velho r&b Baby Please Don't Go. Neste momento, Evans colocava Angus sobre seus ombros, e a galera adorava.

Mas os primeiros anos do AC/DC foram um pouco atribulados: em apenas um ano, quando o single foi lançado, a banda já estava no terceiro baixista, terceiro baterista e terceiro empresário.

Já não era mais a banda que se formara com aquele aperto de mão. Evans não se sentia à vontade na nova banda. Em outras entrevistas ele também já citou um certo ciúme de Malcolm Young sobre seu sucesso com as mulheres. O motivo principal, no entanto, é que a banda fazia muito shows e não ficava com dinheiro nenhum, enquanto o empresário mudara de classe social. Evans decidiu sair da banda dos irmãos Young.

Nas décadas seguintes, o AC/DC — a banda mais popular do hard rock mundial — vendeu milhões de discos. Um sucesso desta proporção teria acontecido se Evans tivesse ficado? Nunca saberemos.

A vida fora do AC/DC

Depois do AC/DC, Evans foi vocalista da banda de hard rock Rabbitt que fez sucesso na Europa, Japão e Estados Unidos. “Era uma banda fantástica, melhor que qualquer outra banda australiana daquela época”. Depois do Rabbitt, ele investiu em sua carreira solo com álbuns lançados na Europa e Estados Unidos e longas turnês mundiais.

Evans no Couto Pereira em 2014. 

Hoje, não gosta de ver músicos de sua geração dizendo que os tempos mudaram e que no passado o rock era melhor. “Eu nunca mudei e vivo hoje meu melhor momento. Nunca fico depressivo ou negativo como muita gente. Eu faço rock e aproveito a vida como ela deve ser vivida: a cada segundo”.

Para Evans, a melhor parte de ser um cantor de rock é “fazer as pessoas felizes e viajar o mundo conhecendo culturas e países. Quem mais tem um emprego como esse?”.

Curitiba sai mais barata com o Clube

Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.

Assinar o Clube Gazeta
S
Sandro Moser
O amigo que sempre sabe o lugar bom em Curitiba.
Assine o Clube Gazeta
descontos na cidade inteira
Assinar