Curitiba volta a ser rota dos mega eventos de música

Ficou fácil para a trupe de Adam Levine. O Maroon 5 só precisava fazer o que mais sabe quando subiu ao palco montado no estádio Couto Pereira, exatamente às 22h03 da noite do dia 14, uma quinta-feira. Desde um dia antes, e quase invisível ao público da apresentação, um batalhão de milhares de pessoas preparava o terreno para que o grupo californiano desfilasse seus hits. E para que cada um dos 30 mil espectadores se sentissem na extensão de casa. Deu certo. Banda e produção deram show. Mas não havia tempo para comemorar. Quase imediatamente, o staff voltou seus olhos para a Pedreira Paulo Leminski. É que duas semanas depois disso, seria hora de encarar outra trabalheira. O Aerosmith vinha aí, mas infelizmente, o evento acabou sendo cancelado.
Organizar um megaevento musical não é tarefa fácil. E eles voltaram a se tornar comuns em Curitiba. Em um espaço de poucos meses, a cidade vai recebeu pelo menos cinco grandes apresentações, daquelas de movimentar a cidade toda. Para que elas ocorram, o trabalho de bastidores é sinfonia. “Para um show como o do Maroon 5 acontecer e para que as pessoas consigam aproveitar aquelas seis horas em que ficam dentro do estádio e as duas horas de apresentação, são quase 60 dias de planejamento intenso”, conta Atahyde de Oliveira Neto, diretor da Like Entretenimento, a produtora responsável pela apresentação dos californianos também à frente do quase-show do Aerosmith.
Neto já trouxe figurões como David Gilmour, Guns ‘N Roses, Kiss e Ozzy Osbourne, para citar alguns dos mais recentes.
“Pela experiência que temos com grandes shows, posso dizer que o do Maroon 5 foi a maior estrutura já montada em Curitiba”, conta. Foram cerca de 100 toneladas de equipamentos de som, um telão de LED gigantesco, de mais de 500 metros quadrados, e muita, muita gente envolvida. A lista de funcionários credenciados tinha 3 mil nomes – de montadores de palco, segurança, limpeza. Fazendo as contas, era um funcionário para cada dez pessoas. “Na hora que começa um show, a pessoa que limpa o banheiro e o artista, lógico que guardadas as proporções, têm a mesma responsabilidade. Não adianta você ir a um show bom e o atendimento do bar ser ruim. Ou o banheiro estar limpo, o bar ser perfeito e a banda ser fraca. O principal é o ambiente estar leve e todo mundo ficar na mesma sinergia”, diz o produtor.
Se o planejamento é longo, de dois meses – período em que os organizadores batalham pelas licenças de polícia, bombeiros e órgãos de trânsito –, a parte prática precisa ser ágil. No caso da apresentação no Couto Pereira, foram 10 dias para preparar a festa. “É pouco tempo para um processo demorado, de se colocar o piso, montar o palco. É que você tem a agenda de jogos do time, né? Não pode prejudicar o gramado. O negócio do clube é o futebol, não o show. Então tem essas limitações”, diz. Não é um problema que a Like enfrentaria com o Aerosmith. “A facilidade da Pedreira Paulo Leminski é que ela é pronta. Não precisa colocar piso isofloor [específico para eventos com muita gente]. Se tiver um show amanhã, você pode começar a montar na véspera mesmo”, diz Neto.
É uma estrutura colossal, tão impactante quanto seus valores. Os produtores não falam de custos por questões contratuais, mas somente com cifras da contratação de artistas e aluguel de espaço, pode-se ter uma ideia. Segundo o “Business Insider”, um show do Maroon 5 pode chegar a quase US$ 500 mil. Em off, uma fonte estimou o valor do aluguel do Couto Pereira para a apresentação em R$ 200 mil.
É um microcosmo agitado, não diferente do clima que se instala na cidade nos dias de evento. Estima-se que a apresentação do Maroon 5 tenha trazido para a cidade 20 mil pessoas de outros municípios. Embora desta vez os hotéis pareçam não ter sentido o impacto – segundo a regional paranaense da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, não houve grande diferença no quadro de ocupação – as pessoas vão a restaurantes, compram lembranças, fazem turismo. A Prefeitura estimou que a passagem dos californianos tenha gerado 3 mil empregos indiretos, algo tende a se repetir com alguns dos próximos shows. O valor arrecadado com ISS (imposto sobre serviços de qualquer natureza) chegou a R$ 250 mil, segundo números oficiais.
Colado nos artistas
Organizar a casa para a festa é só um dos detalhes para um bom show. Receber bem os artistas é tão importante quanto. E, talvez, o grande motivador de um bom show. “Normalmente, vem um profissional antes, o advance. Ele vê a questão do roteiro do grupo, o que vão fazer, onde vão ficar”, diz Atahyde de Oliveira Neto. Depois disso, é com sua equipe. Vários profissionais da casa fazem as vezes de cicerone – ou babá, em outros termos. É o cara responsável por atender a todos os pedidos do músico. E por fazê-lo ter empatia pela cidade. “Nós, como produtora, queremos que o artista se sinta bem na cidade. Deixamos para eles alguns roteiros turísticos para que possam fazer pela cidade. Não duvide de estar andando pelas ruas e encontrar o Steven Tyler conhecendo o Museu do Olho ou a Ópera de Arame”, diz.
Claro, ainda existe a exigência das mil toalhas. E mesmo com ela, há que se lidar com paciência. “A equipe do Maroon 5, por exemplo, tinha quase 50 pessoas. Entre elas, há pessoas que são veganas, que não comem isso ou aquilo. A estrutura de exigência é muito grande, mas não é só por casa do artista. Você está atendendo 50 pessoas que são de lugares diferentes do mundo. O técnico de som é da Hungria, o de luz americano… As coisas são assim”, diz. E o show sempre continua.
AGENDA
De rock clássico a ao pop meloso. Veja quais são o próximos grandes shows em Curitiba:
John Mayer: no dia 22 de outubro, na Pedreira Paulo Leminski, o cantor e guitarrista pop norte-americano desfila hits como Neon e Your Body is a Wonderland. Os ingressos custam entre R$ 400 e R$ 1.000.
Green Day: o trio de punk rock se apresenta na Pedreira Paulo Leminski no dia 5 de novembro. Os ingressos custam entre R$ 400 e R$ 700. Membros do Clube Gazeta do Povo têm 47% de desconto.
Deep Purple e Lynyrd Skynyrd: os pioneiros do heavy metal e os maiores expoentes do southern rock se apresentam no dia 12 de dezembro, na Pedreira Paulo Leminski. Os ingressos custam entre R$ 290 e R$ 660.
Foo Fighters e Queens of the Stone Age: os dois grupos norte-americanos confirmaram passagem. Os shows serão na Pedreira Paulo Leminski, em março de 2018. Valores de ingressos ainda não foram confirmados.
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