Por que os últimos filmes de Woody Allen são uma “Roda Gigante”

Os fãs de Woody Allen não são fáceis de agradar. Todos os anos, ao estrear um novo filme, o cineasta americano recebe uma enxurrada de críticas. Também pudera, não é uma tarefa fácil ser genial como em “Noivo neurótico, noiva nervosa”, de 1977, “Manhattan”, de 1979, ou ainda os mais recentes “Tudo pode dar certo”, de 2009, e “Vicky Cristina Barcelona”, de 2008.
Parece que começou a desandar em “Meia-Noite em Paris”, em 2011. Com “Roda Gigante”, que chegou as salas de cinema de todo o Brasil na quinta-feira (28), os especialistas estão divididos. No site americano Rotten Tomatoes, em que é possível fazer uma avaliação do filme, a aprovação da produção é baixíssima, de apenas 29%. O blockbuster “Star Wars: Os Últimos Jedi”, no entanto, bate a média de 91%. Ainda com a baixa aprovação, já existe a máxima de que m Woody Allen mediano é bem melhor que a maioria dos filmes em circuito.
Os altos e baixos são prova de que Woody Allen vive sua própria Roda Gigante. Uma coisa que ele faz como ninguém é dirigir mulheres. Em "Roda Gigante", quem brilha é Kate Winslet, com um certo exagero teatral, similar ao que fez com Cate Blanchett em “Blue Jasmine”, de 2013.
Allen demonstrou muitas vezes seu talento para dirigir atrizes. Podemos pensar inicialmente em Diane Keaton, inesquecível em "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977) e "Manhattan" (1979).
Mas a lista é imensa: Mia Farrow, Dianne Wiest e Barbara Hershey, por exemplo, conseguem a tripla proeza em sua obra-prima, "Hannah e Suas Irmãs" (1986). Scarlett Johansson brilhou em "Match Point" (2005), e recentemente tivemos atuações impecáveis de Emma Stone "Magia ao Luar", 2014, e Kristen Stewart em "Café Society" 2016.Isso significa que, se você resolver levar a crítica muito a sério, vai perder uma grande atuação de Kate Winslet.
Parte da crítica americana viu nos conflitos amorosos de "Roda Gigante" relação com as acusações de assédio sofridas por Allen. É um reflexo da busca pela identificação com o mundo em que vivemos, já que grandes partes dos filmes do diretor falam de confusões amorosas. Este é um aspecto bastante negativo relacionado aos trabalhos do americano: o politicamente correto. Se, a partir de agora, a arte sofre a patrulha das bandeiras do momento, não parece que haverá um bom final.
O drama está a serviço do cinema. Em “Roda Gigante” os personagens estão carregados de desilusões. O drama é sobrecarregado na saturação das cores, um trabalho do diretor de fotografia Vittorio Storaro.
Com altos e baixos, a filmografia de Allen parece retratada na narrativa dos anos 1950, com a gloriosa Coney Island. O parque de diversões ressalta diferentes sentidos: enquanto os problemas cotidianos podem ser esquecidos, a tal roda-gigante e o carrossel giram sem sair do lugar, demonstrando como a vida pode estar estagnada.
“Roda Gigante”
No longa, Winslet é Ginny, uma ex-atriz frustrada, com 40 anos que trabalha como garçonete. É casada com Humpty (Jim Belushi), o operador de um carrossel. Ginny tem um filho incendiário que lhe causa vários problemas. Tentando escapar das suas frustrações, se envolve num relacionamento extraconjugal com Mickey (Justin Timberlake), um salva-vidas.
E tudo parece melhorar para Ginny até o surgimento de Carolina (Juno Temple), filha de Humpty que se casou com um gângster e se arrependeu. Com seu jeito adorável e seu interesse em literatura, Carolina desperta a paixão do salva-vidas, que também é aspirante a escritor. Desnecessário dizer que a trama é ótima para Allen explorar as paixões e os sentimentos conflitantes dos personagens. O melhor do filme? Winslet.
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