Corrida exclusiva para maiores de 70 anos acontece neste sábado em Curitiba

Neste sábado (22) os maiores de 70 anos têm um desafio: a Corrida do Setentenário. Com um percurso de dois quilômetros, no Parque Tanguá, a prova é uma iniciativa do artista plástico e corredor Mario Dittmann. Nos aniversários redondos, ele organiza corridas para comemorar junto com amigos que têm a mesma idade. Foi assim nos 50, nos 60 e agora, nos 70 anos.
Mario treina todos os dias e corre em várias provas pelo Brasil com frequência – participou, em junho, da Maratona do Rio. Escolheu o Tanguá por ser justamente o local onde pratica o esporte diariamente. “Vou até requerer o usucapião, porque só eu treino lá. O pessoal não gosta por causa da dificuldade do percurso”, conta ele, referindo-se às subidas do parque.
Para quem acha que é difícil correr depois de uma certa idade, o próprio Mario dá exemplos do contrário. Ele começou a correr com 40 anos, para incentivar as filhas a participarem das competições. Com o tempo, elas pararam, mas ele não apenas continuou a correr como também passou a organizar competições variadas, como a Corrida Ecológica de São Silvestre, em Campo Largo, além de excursões para a São Silvestre, em São Paulo, e provas em Santa Catarina. Tudo ao mesmo tempo em que trabalhava em diversas profissões, o que conta de maneira descontraída. “Tirando bandido, de resto eu fiz tudo”, lembra ele.
A ideia original da Corrida do Setentenário foi reunir o grupo de amigos que se formou a partir desses eventos e excursões que Mario organizou, a maioria deles nascida há 70 anos ou mais. Um deles é o aposentado e proprietário de imóveis Américo Augusto Leite, que conheceu Mario ao mudar-se para Curitiba, no fim dos anos 1990, quando se juntou ao grupo de corredores. Ele, que já teve câncer de próstata, só parou mesmo de correr quando precisou operar os joelhos, mas vai participar da prova no sábado nem que seja “só caminhando”.
“Quando tive meu tumor, em 2005, fui correr 45 dias depois da operação. Meu médico quase me matou”, conta Américo. Ele esteve na corrida dos 60 anos de Mario, há dez anos, e também começou a correr tarde, aos 51, e por acaso. “Eu morava em Guarulhos, e todo domingo, caminhava de 7 a 8 km para tomar café no aeroporto [Internacional de Guarulhos]. Com o tempo comecei a correr de leve, e aí me inscrevi em provas”, diz.
O clima, no geral, é de confraternização, mas Mario avisa que a prova é séria. Mesmo com um percurso mais leve, com uma única volta, a ideia também é a de competir. Então, se você quer mostrar que, mesmo com a idade, ainda encara a pista de corrida, vá em frente. Mas como lembra Américo, a prova tem restrição de idade.
“Tem que ter de 70 anos pra cima para participar. Como a gente diz, é uma homenagem a quem nasceu em 1947”.
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