Passeios

Clube dos Solitários completa 30 anos unindo mais de 8 mil casais

·3 min de leitura·Sandro Moser e Luan Galani
Clube dos Solitários completa 30 anos unindo mais de 8 mil casais

Muito antes dos aplicativos de paquera ou encontros, um cupido de carne, osso e voz de radialista se ocupava do nobre oficio de unir corações já cansados de sofrer. Ele é Rosaldo Pereira, ex-radialista e hoje empresário que comanda desde 1987 o baile “Em Nome do Amor” do Clube dos Solitários. O baile é uma matineé dançante que acontece todos os sábados (das 16h às 22h) e domingo (14h às 20H) no salão montado em um antigo galpão de metalúrgica na travessa da lapa.

Rosaldo estima que já uniu de 8 mil casais – cupidez que começou no programa “Quadro Casamenteiro”, por ele apresentado na Rádio Colombo por mais de 40 anos (até 2012). Na rádio, ele lia cartas de pessoas em busca de um par e promovia os encontros.

Foi a demanda na rádio que originou o baile do Clube dos Solitários, após pedidos incessantes dos ouvintes que queriam ter um lugar para se encontrar, digamos, fisicamente. “O pessoal se conhecia através do programa e marcava para se encontrar em pontos da cidade como a Catedral ou praças da cidade. Eles me cobravam: ‘Vê se acha um espaço para gente se encontrar que não seja público”.

DJ e Cupido

Como era diretor do extinto clube Juventus, Rosaldo reservou o salão social no centro de Curitiba. No primeiro baile, cerca de 50 pessoas se espalharam pelo enorme salão do clube, cada um em uma mesa em silencio, lembra. “Uns gatos pingados…Eu ainda tentei apresentar um para o outro”.

Rosaldo pensou em parar, resolveu dar mais uns dias de folga além de uma incrementda.  “Decidi colocar c uma musiquinha para quebrar o gelo”. No baile seguinte, um casal se animou a dançar e tudo começou. “Foi uma coisa espontânea”, lembra. Como trabalhava na radio começou a fazer uma seleção e virou o DJ do baile atacando xotes, venaroes, valsa, boleros.

Desde sua fundação, o baile passou por 5 locais até chegar a sede atual, um galpão de 600 mts² na Travessa da Lapa.

O público é, principalmente, “o pessoal dos 50 para cima”, mas não apenas. “Às vezes, vem uma moça levar a avó e aí começa a dançar, conhece alguém. No outro, a vó não vai mas ela leva as amigas”. “O que move o baile é a necessidade que o ser humano tem de não ficar só”, filosofa Rosaldo.

"A gente só não vem se a doença bater"

Figuras carimbadas dos bailes de sábado e domingo, que só deixam de ir ao clube "se a doença bater", o comerciante ambulante Joaquim Reis, 70, e a dona de casa Maria Therezinha Oliveira, 71, estão juntos há 4 anos e se conheceram na matineé. "Ele que me chamou para a dançar. E a gente dança de tudo. Gosto daqui porque é calmo e familiar", conta Maria Therezinha. "Fiquei sabendo do baile pelo rádio, quando o Rosaldo ainda estava na [Rádio] Colombo", confidencia Joaquim.

Luiz Carlos Gonçalvez, 70, e Geni Riberio, 59, que há 20 anos frequenta o clube, também tecem elogios ao ambiente agradável. Prova de que nunca faltam aos bailes? É só olhar a galeria de fotos do Clube dos Solitários no Facebook. Ao lado de Joaquim e de Maria Therezinha, eles são um dos casais que mais aparecem em registros fotográficos.

As amigas Olívia de Oliveira, 74, e Ivone de Souza, 83 anos, são assíduas frequentadoras há mais de 20 anos e costumam comparecer para dançar e se divertir entre o próprio grupo de amigas. "O lugar é central, o que facilita na hora de vir, e sempre nos divertimos com os amigos e amigas que fazemos aqui", destaca Olívia.

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