Cinema: Inteligência artificial recria voz do chef Anthony Bourdain

Algumas palavras definem a sensação sobre a recriação da voz de uma pessoa três anos após sua morte: incrível. Bizarro. Fantástico. Instigante. O documentário americano “Roadrunner” sobre a vida e a carreira do famoso chef Anthony Bourdain, falecido em 2018, estreou em 11 de junho desse ano no Tribeca Film Festival com essa peculiaridade.
O que o torna ainda mais instigante é o mistério mantido por Morgan Neville: o diretor faz questão de não revelar quais partes do filme contém a voz original de Bourdain e quais são obra da IA.
Anthony Bourdain foi um renomado chef americano, escritor e apresentador de programas de gastronomia. Na época de sua morte, Bourdain estava gravando a série da CNN Anthony Bourdain: Parts Unknown.
As citações recriadas pela IA são baseadas em emails e mensagens de Bourdain. O novo documentário, Roadrunner, narra a história da sua vida. Como Bourdain faleceu antes da conclusão do filme, o diretor Morgan Neville procurou uma empresa de software para construir a recriação em IA da voz do chef .
Não é tão horrível e inconcebível quanto Kanye West pagando para fazer um holograma do pai morto de Kim Kardashian que fala sobre o quão grande Kanye West é , mas certamente é incomum . E um pouco assustador. E particularmente bizarro, considerando como a Roadrunner posiciona Bourdain como alguém que se sentia tão desconfortável com a fama que provavelmente não ficaria feliz se sua voz fosse usada para dizer coisas que ele nunca disse em voz alta quando estava vivo.
Neville reconhecer o quão incomum foi a utilização desse recurso em entrevista ao New Yorker , dizendo:
“podemos ter um painel de ética documental sobre isso mais tarde”
Entretanto, ele se recusa explicitamente a dizer quais versos do filme são gravações reais de Bourdain e quais foram as leituras realizadas por esta IA. Há também um momento na entrevista em que Neville toca em outro ponto potencial do filme, que é a falta de foco na relação de Bourdain com Asia Argento (atriz, cantora, modelo, roteirista e cineasta italiana, filha do cineasta Dario Argento) – que não foi entrevistada e nem abordada sobre o potencial de ser entrevistada. Neville sugere que o último ano da vida de Bourdain é como uma “areia movediça narrativa” em que qualquer pessoa com quem ele falasse teria suas próprias coisas em que se concentrar e “nenhuma dessas coisas realmente aproxima o espectador da tentativa de compreendê-lo”.
Onde assistir: HBOMax
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