Um Chico Buarque mais solto, dançarino e performático vem a Curitiba

Um Chico Buarque mais solto, que interage com o público e até se arrisca em passos de dança. É este o artista que o público curitibano verá nos três shows da turnê Caravanas, nos dias 2, 3 e 4 de agosto, no Teatro Guaíra. Ao contrário do que foi anteriromente publicado pelo Guia da Gazeta do Povo, ainda há ingressos para as três datas (atualizado às 20h30).
Quem garante a postura deste “novo Chico” é uma fonte insuspeita, o maestro Luiz Claudio Ramos, que trabalha como diretor musical de todos os álbuns e turnês de Chico Buarque desde 1989.
“A diferença desta turnê para as outras é que o Chico tem se assumindo como cantor, como performer. Ele está mais solto. Do jeito dele, é claro. Ele não é dançarino, mas nesse show até se arrisca”, disse o maestro.
“Acho que isso fez parte de um amadurecimento dele como artista. A gente [os músicos] é muito purista e leva em conta só a música. Ele, no entanto, evoluiu no sentido de entender e assumir a dimensão que ele tem”.
A turnê já passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e Portugal com um público total de mais de 100 mil pessoas. A este número já se incorporar as mais de 7,5 mil pessoas das três noites de Guairão lotado.
Um sucesso que se explica pela expectativa naturalmente criada em torno dos shows de Chico, afastado dos palcos desde 2012. A longa pausa entre as turnês tem duas razões segundo o maestro. A primeira é a carreira literária de Chico. “Em função dos livros, ele intercala lançamento de um livro com a produção de álbum com uma distância de uns cinco anos entre um e outro. Tem sido assim”.
Outro é o processo “desapressado” com que o maestro e compositor “trocam figurinhas” até chegar na forma que querem dar às canções. "Ele manda as músicas gravadas ao violão e então há todo um processo de amadurecimento da música. Eu preciso entender bem o jeito para começar. Arranjo não é uma coisa técnica. Eu posso fazer em um dia. Já fiz muitos. Mas para as canções do Chico, que primam pelo estilo musical-literário, cada nota é importante”.
Repertório tem clássicos de várias épocas e novidades
No repertório do show há canções de vários momentos da carreira do Chico, como Partido Alto, Sabiá, Retrato em Branco e Preto, A História de Lily Braun, Todo Sentimento, Paratodos, Futuros Amantes e a Geni e o Zeppelim. Além das canções do novo trabalho, como a faixa-título, e outras como Desaforo e a Moça do Sonho.
O álbum Caravanas (lançado pela Biscoito Fino) e o show homônimo foram apontados por grande parte da crítica como um dos grandes momentos da carreira do compositor.
No palco, Chico (em sua versão performer) é acompanhado pela banda liderada por Ramos ao violão e mais João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo), Marcelo Bernardes (flauta e sopros) e Jurim Moreira (bateria).
A luz é assinada por Maneco Quinde, os figurinos são de Marcelo Pies. O cenário é de Helio Eichbauer (falecido no último dia 22) e é formado por um jogo de oito cordas entrelaçadas que formam diferentes desenhos e movimentos e mudam de tom de acordo com a iluminação.
Esta é primeira turnê sem o baterista Wilson das Neves, falecido em 2017, que costumava ser um espetáculo à parte em cada show. Como bom band leader, Ramos lamenta a falta do parceiro, mas exalta seu substituto. “Das Neves faz muita falta. Mas cada um tem uma linguagem. O Jurim tem a linguagem dele e somou muito à banda”
O maestro do Chico
A colaboração entre Chico e Ramos começou nos anos 1970, no arranjo da canção Barbara (feita para a peça Calabar em 1973 e que saiu no álbum Chico Canta do mesmo ano). Foi esporádica até 1989. De “papel passado e anel no dedo”, a parceria se mantém desde o álbum Chico Buarque, daquele ano. “Afinidade musical. Um jeito de pensar parecido”, explica Ramos, que hoje dificilmente ouve seu nome apresentado sem o epíteto “o maestro do Chico”.
Algo que não o incomoda, pelo contrário. “Para mim é uma honra, apesar de que eu sou maestro também de outras pessoas e em outras circunstâncias”.
Enquanto outros artistas da geração de Chico, como Caetano Veloso e Elza Soares, por exemplo, têm procurado trabalhar com arranjadores mais jovens e de linguagens diferentes, o compositor de Construção faz questão de pouco mexer na estrutura de seu time e de manter Ramos como o capitão. "Tem sido assim, em razão da afinidade que todos temos. Ele costuma ser fiel com quem trabalha com ele. A razão, porém, só ele pode dizer".
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