Cinema

Bohemian Rapsody mostra força do Queen nos palcos

·4 min de leitura·Sandro Moser
Bohemian Rapsody mostra força do Queen nos palcos

“Nenhuma outra banda é o Queen”. Durante o filme Bohemian Rapsody a cinebiografia de Freddie Mercury, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (1º), este bordão é repetido algumas vezes pela banda.

Não dá para negar que o Queen era peculiar. O guitarrista, Brian May, era astrofísico e o vocalista e compositor principal nasceu na Tanzânia e tinha quatro dentes incisivos a mais (36 no total) e por isso tinha uma potência vocal acima da média.

Brincadeiras à parte, o a diferença do Queen sempre foi sua performance ao vivo. Uma energia que fazia as plateias entrarem literalmente dos shows. O Queen reinou no rock de arena entre o meio da década de 1970 a 1980.

Conseguir mostrar esta força na tela é a principal virtude da cinebiografia assinada por Dexter Fletcher (depois do projeto ter sido iniciado por Bryan Singer, que foi demitido sem explicação oficial).

O filme se esmera em reproduzir os shows vibrantes do Queen em arenas lotadas, com cenas verossímeis e bem dirigidas. Fãs do Queen vão se deleitar com a sequência de hits na tela – e o Queen tem dezenas deles.

O filme começa e termina no palco de Wembley, durante o histórico show Live Aid, no estádio de Wembley, em Londres.  Organizado para arrecadar dinheiro para países africanos é  considerado o maior show de rock da história.

A data do show que reuniu “todo mundo que importava” ( Bowue, Stones, Elton John, McCartney, U2 etc), 13 de julho, é considerada em países como o Brasil como o Dia Mundial do Rock.

A parte final do filme mostra todos os vinte minutos do show original com as quatro canções que a banda tocou: Bohemian Rapsody, Radio Gaga, Hammer to Fall e We Are The Champions. Mostradas na integra, acorde por acorde, com cada detalhe do palco como os copos em cima do piano e cada passo da performance de Freddie.

Além do mérito da produção em recriar os espaços, palmas para o ator americano de origem egípcia Rami Malek que encarnou Mercury – talvez o maior showman do rock – de forma surpreendente nas cenas de palco.

Não há contudo, o mesmo valor, do palco para fora. O clima é de novelão, entre a comédia e o melodrama. A começar pela prótese dentária usada por Malek para recriar a dentição peculiar do líder do Queen.

O roteiro de Anthony McCarten tem todos os clichês e personagens caricaturais do rock que a maioria das cinebiografias de rock tem, com raras exceções.

E toma algumas liberdades excessivas como adiantar no tempo o anúncio do contágio pelo vírus HIV de Freddie para os demais membros da banda apenas para criar efeito dramático.

Não haveria necessidade, pois há mais drama e escândalo na vida real da banda londrina e na história de Mercury do que a ficção pode inventar.

A narrativa é centrada nas transformações de Freddie, o menino esquisito nascido em Zanzibar, que trabalhava no aeroporto de Londres como carregador até montar a banda perfeita que aceitasse sua criatividade e persona exuberantes.

O cantor que vai descobrindo sua sexualidade ambígua até sair efetivamente do armário de forma gloriosa e trágica. O compositor inspirado que vai perdendo a mão enquanto vai virando um superastro hedonista do rock.

Rodeando Freddie, há toda aa fauna do showbiz como o empresário ambicioso que puxa demais a corda, o produtor que não consegue ver o potencial da banda e perde milhões, o assistenten inescrupuloso e etcc…

Há todoso os clichês de filmes sobre rock como diálogos tolos em ensaios e discussões entre a banda ou entre Freddie e sua família, cenas melosas explicando a inspiração das composições e outros ingredientes que, às vezes, dão cara de paródia ao filme.

Queen no Brasil

O primeiro show do Queen no Brasil, em 1981, no estádio do Morumbi, em São Paulo, tem destaque na trama de Bohemian Rapsody, a cinebiografia de Freddie Mercury que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (1º).

O show marcou o início dos anos 1980 por aqui e impressionou Freddie por um momento memorável. Ele achava que a plateia do exótico país não entenderia uma palavra do que cantava. Porém, a multidão de mais de 130 mil pessoas entoou à capela os versos finais de Love Of My Life para a surpresa do astro.

Um coral que se repetiria quatro anos depois, na primeira edição do Rock in Rio. A primeira passagem no Rio de janeiro porém, é destacada no filme com uma furtiva aventura amorosa de Fredie aos pés do Pão de Açúcar.

O filme estreou batendo recorde de bilheteria no Reino Unido e, segundo o jornal londrino The Guardian, deve bater o recorde como a biografia musical mais assistida da história.

Apesar dos senões listados acima, Bohemian Rapsody é uma diversão de primeira para fãs do Queen. Nos cinemas lotados da Inglaterra, os relatos dão conta que a plateia canta os hits junto com o filme. Deve acontecer por aqui também."

Leia também:

>>> Como Rami Malek virou Freddie Mercury em Bohemian Rapsody

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