Exposições imperdíveis são destaque da Bienal de Quadrinhos em Curitiba

Caso você disponha de pouco tempo para visitar as muitas atrações da Bienal de Quadrinhos, que vai até o próximo domingo (9), no Museu Municipal de Arte (MuMa), no bairro Portão em Curitiba, a dica é essa: suba as escadas e use o tempo para conhecer as duas exposições que ocupam o primeiro andar do prédio.
Com propostas diferentes, as mostram conversam entre si através do tema da Bienal, A Cidade em Quadrinhos. Ambas mostram diferentes pontos de vista ao desnudar a cidade através da arte eminentemente urbana que são as histórias em quadrinhos.
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Em uma das salas estão montadas retrospectivas do trabalho dos dois homenageados desta edição do evento: Júlio Shimamoto e Key Imaguire Jr, ambos agraciados com o Prêmio Cláudio Seto de Quadrinhos. São dois artistas da mesma geração com obras vastas.
Quem só conhece o arquiteto Key Imaguire Jr. como professor e pensador do urbanismo talvez se surpreenda com a sua obra composta de colagens, quadrinhos, cartuns, fotos e esculturas multimídia e outros suportes e com linguagem pop, erótica, engraçada e, na maioria das vezes, genial do fundador da primeira gibiteca do Brasil na década de 1980.
Dividindo a sala com ele, Shimamoto, de 79 anos, é uma das maiores referência no quadrinho de terror brasileiro desde a década de 1970. Um dos maiores nomes da Grafipar, a lendária editoria de HQs curitibana criada na década de 1960.
A ferro e fogo
Seu trabalho mais recente, Cidade de Sangue, concluído neste ano, está exposto na Bienal. Nele, Shimamoto desenhou com maçarico e solda sobre papel térmico forjando – literalmente a ferro e fogo – outra de suas poderosas histórias de crime e horror.
Com fama de recluso, Shimamoto se mostrou atencioso com fãs e com o público na abertura da Bienal, na noite da última quinta-feira (6).
Na outra sala de exposição, trabalhos de diversos artistas em três momentos. O primeiro é chamado de “Sonhar Curitiba” que reúne o trabalho de nomes como Marconi, Fúlvio Pacheco, Foca Cruz (recentemente falecido), Benett, Guinski e outros cada qual mostrando seu olhar sobre a cidade em material composto especialmente para o evento.
Curitiba na parede
Em uma das paredes, está o impressionante painel de cerca de 30 metros, Cidade Nanquim, de Eloar Guazzelli, um dos super-craques do quadrinho nacional.O gaúcho está criando, à caneta, uma cidade de forma minuciosa cuja leitura atenta pode durar um dia todo. "O Guazelli é um cara para você olhar e aprender com ele. É simplesmente impressionante”, observa o desenhista Guilherme Caldas.
O artista curitibano foi uma espécie de coordenador e anfitrião local de uma residência artística com grades artistas como próprio Guazelli e ainda Luli Penna e Marcelo Quintanilha.
Cada um deles criou narrativas em quadrinhos de suas vivências nas ruas de Curitiba. Neste ponto Guazelli propõe uma espécie de charada visual, convidando o leitor a descobrir por onde ele andou. Quintanilha se impressionou com a arquitetura art-dèco que resiste nas ruas de Curitiba e criou uma divertida conversa entre prédios da cidade. Já Luli Penna desenhou sob a perspectiva de um usuário de ônibus de Curitiba e criou uma história a partir dos diálogos que ouviu dos outros usuários.

Entre estes trabalhos, talvez o mais forte seja o do próprio Caldas que se propôs a fazer um trajeto de 105 km, de bicicleta até os pontos cardeais de Curitiba (os extremos norte, sul, leste e oeste) em um único dia. A partir da aventura, Caldas recria o trajeto sobre um mapa da cidade criando um painel geral da cidade. “Não queria mostrar parque e catão potal, era uma ideia antiga. Cada desenho mostra pontos georreferenciáveis que podem ser revisitados”, explica. Um dos pontos deste trajeto sai do mapa e se desdobra em uma história de memória afetiva da cidade.
Se não bastassem as duas exposições de elite, a Bienal ainda tem outras dezenas de atrações como filmes, debates com nomes importantes do quadrinho como Caco Galhardo e Marcelo D’Salete, entre dezenas de outros convidados, feira de quadrinhos e muito mais.
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