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Quatro bares tradicionais que levam o nome de seus donos

·4 min de leitura·Sandro Moser
Quatro bares tradicionais que levam o nome de seus donos

Quem frequenta bares sabe que há uma credibilidade a mais naquelas casas que levam os nomes de seus donos. São bares que batem no peito, se orgulham e ousam falar seus nomes. Assim, criam uma relação de intimidade e respeito maior com seus clientes. Afinal são o nome, e cara, do proprietário que estão em jogo se alguma coisa der errado.

O Guia Gazeta do Povo listou quatro casas, em bairros diferentes, que levam o nome de seus donos. Nestes bares, porém, as coisas dificilmente não saem perfeitas.

Bar do Dante

Rua Conselheiro Carrão, 194, Alto da Rua XV/Juvevê

Era ainda o ano de 1991 quando Dante Luiz Manfron transformou em bar um espaço na mercearia que seu pai, o ex-caminhoneiro Levi, tinha numa esquina do Juvevê.  O espaço, com um pequeno balcão, poucas mesas e uma churrasqueira, já se chamava Bar do Dante e virou ponto de encontro obrigatório no bairro. Em uma década, o bar ficou pequeno.

Em 2002, Dante se mudou para a mesma rua, duas esquinas acima, na Conselheiro Carrão com Alberto Bolliger. Com mais espaço e uma aposta pesada na cozinha, o Bar do Dante virou uma referência boêmia da cidade, pois oferece tudo que um bom bar deve a seus clientes: petiscos e comidas deliciosas, bebidas boas e com bom preço e ótimo atendimento.

Destaque para a batida de maracujá da casa e para o espeto de camarão com provolone servido às quintas-feiras. Aos sábados, a feijoada na cumbuca é uma das mais tradicionais para os frequentadores da feira-livre do Juvevê, da qual o bar do Dante é quase um anexo.

Bar do Popadiuk

Rua José Domakoski, 85, Bigorrilho

Nas crônicas do jornalista Dante Mendonça o balcão do Bar do Popadiuk é personagem recorrente; uma espécie de “posto avançado” da evolução dos usos e costumes curitibanos. Posicionado desde 1966, no número 58 da rua José Domakoski, no Bigorrilho, o estabelecimento comandado por Lauro Popadiuk viu o bairro se transformar. Das casinhas de madeira com lambrequins para os edifícios afetados com nome francês. Do tempo em que o bar abriu para hoje, parece que só restam algumas garrafas nas estantes, o baleiro em cima do balcão e alguns clientes fiéis.  

Na frente do bar, há uma churrasqueira onde, de quando em quando, os clientes mais íntimos assam um churrasco ou peixe pescado por um amigo da casa. As paredes estão repletas de fotos de times em que Lauro jogou. Quem o viu jogar garante que ele era um zagueiro técnico, um craque. “Me falavam que eu poderia ter sido profissional. Eu sabia jogar, mas tive um problema na perna que me incomoda até hoje”, disse o ex-capitão do Bigorrilho e do Camponês, dois clubes de futebol do bairro.

Tatu Bar

Rua Parintins, 601, Vila Izabel

Se você o chamar de seu nome de batismo, Flávio de Souza Neto, ele demora a responder. Se o chamar pelo apelido, Tatu, o sorriso abre na hora. A alcunha tem mais de 30 anos, quando fazia muito sucesso o seriado A Ilha da Fantasia. Nascido na cidade de Euclides da Cunha, palco da guerra de Canudos, no sertão baiano, Tatu tem a estatura e a simpatia do personagem da tevê, mas tem muitas outras qualidades.

Cozinheiro profissional desde a adolescência, ele prepara com perfeição carneiros assados, rabadas, receitas nordestinas e carnes assadas em geral na churrasqueira que cede gratuitamente aos fregueses. O bar é ponto de encontro de ex-jogadores de futebol que vivem na cidade e na semana passada recebeu um laurel de uma marca de cerveja por ter sido a casa que mais vendeu o rótulo em 2016.

Como prêmio, levou passagens, estadia e ingressos para  assistir ao show do Guns’n Roses no Rock In Rio 2017. Apesar de ser fã de Slash e Axl Rose, Tatu acha que não vai. “Estou pensando em dar [o prêmio] pro meu funcionário que é mais novo e não conhece ainda o Rio de Janeiro”, planeja.

Bar do Toninho

Rua Ângelo Sampaio, 1776, Água Verde

A mercearia Stella ou o Bar do Toninho (Antonio Carlos Stella) para os íntimos também mereceu uma crônica, desta vez de José Carlos Fernandes. O jornalista se encantou com a singular estrutura do bar e o rebatizou como “República Independente do Bar do Toninho”. Na RDBT, é o cliente que se serve de cervejas geladas (que harmonizam com as porções de torresmo frito) e sabe quando deve à casa.

O bar tem também sua própria roda de samba e uma sofisticada tecnologia de organizações de bolões, apostas futebolísticas e políticas cujos prêmios são churrascos assados nas próprias instalações. É um regime aberto a tudo, com exceção de chatos e deslumbrados.

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