"Frejat não é insubstituível": Barão Vermelho se apresenta com nova formação em Curitiba

Em 1985, no auge do sucesso após a histórica apresentação no primeiro Rock in Rio, o Barão Vermelho viu seu vocalista e letrista Cazuza (1958-1990) deixar a banda e partir para a carreira solo. Parecia o fim, mas aconteceu o contrário. Nos 32 anos seguintes, com Frejat à frente da formação, o Barão se consolidou como uma das principais bandas de rock do país.
Em janeiro deste ano, foi a vez de Frejat pedir para sair, dando novamente a impressão de que a banda poderia encerrar a carreira. Também não foi desta vez.
No ano em que o Barão Vermelho completa 36 anos de estrada, a banda surge renovada pela presença do cantor e guitarrista Rodrigo Nogueira (ex-Suricato). Nesta formação, eles se apresentam em Curitiba nesta sexta-feira (23), no Teatro Positivo, com a turnê "Barão Pra Sempre". A apresentação é a prova de que os roqueiros ainda tem muita lenha para queimar.
No palco, o público vai poder ver o Barão Vermelho com sua nova cara passando em revista seu repertório clássico que inclui hits como "Tão longe de tudo", "Pro dia nascer feliz", "Pedra, flor e espinho", "Por você", “Bete Balanço”, “Por que a gente é assim” e muito mais.
Um dos fundadores da banda, o baterista Guto Goffi chama a nova fase de “terceira geração do Barão” e afirma que a entrada de Nogueira e a volta do tecladista Maurício Barros (outro fundador, mas que estava fora da banda desde 1988) dão um novo gás. “Nós voltamos ao "front" de batalha, de onde nunca deveríamos ter saído. Agora é hora de fazer o que sabemos, bem feito, com a nova formação. É uma nova química com o Rodrigo Nogueira, nosso novo e talentoso colaborador”. O cantor tem longa carreira na cena do rock carioca e ficou famoso nacionalmente após sua ex-banda "Suricato" ter participado da primeira temporada do reality-show SuperStar, da Rede Globo.
Apesar do chapéu, Rodrigo é o novo band leader
Goffi disse que, apesar do “chapéu de cowboy que ele usa”, Rodrigo Nogueira reúne as qualidades à prova de comparações para ser o novo frontman do Barão.“Nos quesito guitarra, violões e voz, não fica devendo nenhum centavo aos seus antecessores que já vestiram a camisa do Barão Vermelho futebol clube”.
Fazendo uma metáfora futebolística, Goffi disse que assim como Zico ou Romário passaram pelo Flamengo, e, mesmo depois da saída de ambos, o clube seguiu a sua história, os fãs estão reagindo bem às primeiras apresentações do novo vocalista do Barão.
“Sempre disse que Cazuza não era insubstituível e pudemos provar isso apoiando e encorpando a voz do Frejat, que também não é insubstituível. Vamos para mais um teste em cena aberta. O que perdemos de tempo nesses quinze anos de contenções subliminares vai se derramar agora no "tsunami" que queremos devolver ao nosso público”, disse.
Confira abaixo a performance do Barão Vermelho com o novo vocalista em show no Circo Voador no Rio de Janeiro:
De volta à formação principal da banda depois de quase trinta anos (tempo em que colbarou com o grupo algumas vezes), o tecladista Maurício Barros disse que o Barão Vermelho se fortaleceu na adversidade. “Estamos animados com a turnê e cheios de planos pro futuro. É claro que a tarefa é árdua, mas já passamos por isso uma vez e continuamos aqui, décadas depois”.
Barros disse que a banda está unida, como esteve na época que o Cazuza partiu pra carreira solo. Quanto a perda do principal compositor (Frejat), o tecladista diz que não é momento para lamentar. “Quanto às composições, sem dúvida, perdemos um compositor talentoso, mas ao mesmo tempo ganhamos um compositor com ideias novas que dará frescor ao trabalho do grupo. Além disso, todos os integrantes são compositores. Inclusive, já começamos a compor material inédito pra entrar em estúdio no início do ano que vem. Como dizem as torcidas de futebol: o Barão voltou!”
“O Barão Vermelho é como um Flamengo da música e como dizia o tricolor Nelson Rodrigues: "há de chegar o dia em que o Flamengo não precisará mais ir a campo com o seu time, pois bastará estender a sua camisa rubro-negra sobre a trave, para que os seus adversários caiam por terra".
Gutop Goffi, baterista do Barão Vermelho
Mesmo após saída de Frejat banda não cogitou parar
Sobre a saída de Frejat da banda, Barros disse que “a pergunta deve ser respondida por ele, mas o fato é que sua prioridade agora é a carreira solo”. Para o "amigo de quarenta anos", a decisão de Freja foi “natural”.
“Cada um sabe de si e de suas escolhas. Ele preferiu assim. Lamentamos, mas compreendemos. Continuamos amigos, até porque não houve briga. Foi uma escolha profissional, opção artística de seguir seu trabalho individual. Ficamos sabendo que ele deixaria o grupo alguns meses antes de comunicarmos oficialmente ao público”.
Ele conta que nenhum outro integrante da banda cogitou parar. “Nesse período, sempre estivemos convictos em seguir com a banda. Por isso, está sendo uma alegria voltar a encontrar o nosso público e tocar esse repertório que construímos ao longo dos anos”.
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