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Depois de tour fora do país, artistas curitibanos tocam na terra natal

·4 min de leitura·Sandro Moser
Depois de tour fora do país, artistas curitibanos tocam na terra natal

“Entramos na Argentina pela cidade de Clorinda por volta das 16h. Os responsáveis da Aduana evacuaram nosso veículo e examinaram meticulosamente (com estrema educação e gentileza, não podemos deixar de frisar). Tudo Ok. Agora seriam cerca de 1500Km até Buenos Aires. Fomos de um tiro. Segue o baile pelas veias abertas da América Latina. Iríamos nos apresentar num dos países mais rockeiros do mundo… E dê-lhe empanada pelo caminho, outro pen-drive se acaba, uns dormem, outros acordam, nos para a polícia, troca o motora, amanhece o dia, estamos quase chegando…”

O trecho acima é parte do diário de viagem da banda Escambau (foto acima) durante a turnê de um mês do quinteto curitbano por Paraguai e Argentina, finalizada no final do mês passado.

Assim como o Escambau, artistas importantes da cidade têm apostado cada vez mais em cair na estrada para ampliar os horizontes e colocar o trabalho à prova frente a um público novo em território desconhecido. Antes de embarcar rumo ao novo, os artistas mostram um pouco do que vão apresentar em outros território aqui mesmo, em Curitiba.

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Só nos últimos meses a cantora Iria Braga fez uma longa turnê pela Argentina, as bandas punks Sem Futuro e Dedo Podre estão na Europa onde participaram do prestigiado Rebellion Festival, festival punk em que os headliners foram T.S.O.L e Buzzcocks e o Marrakesh prepara uma turnê europeia. E há outros tantos seguindo a mesma linha.

Algo que era restrito a bandas de nicho como a banda de metal Imperious Malevolence ou os psychobilly d’Os Catalépticos (para citar duas bandas estradeiras), é cada vez mais uma opção para os artistas que querem cair na estrada.

Para Giovanni Caruso, do Escambau, estar na estrada é da natureza do artista. “É uma necessidade do artista experimentar outros públicos e apresentar o trabalho fora da zona de conforto”, disse. Antes de descer para os países vizinhos do sul, o Escambau gravou um EP com composições em espanhol. 

Na estrada crua e real 
Após uma turnê de sete datas na Argentina, que incluiu uma apresentação no tradicional clube noturno Notorius, a cantora Iria Braga destaca o ganho artístico aos se apresentar para um “público que não tem referência anterior do teu trabalho e então você recebe um feed back mais cru e real, sem elos afetivos sobre a sua música”.

Para ela, uma viagem dessa modifica o caminho e faz o artista rever o próprio trabalho. Iria vai se apresentar neste domingo (12) na casa Quatro Ventos,  “A internet dá uma falsa impressão que você está em todos os lugares. Não é verdade. Você precisa ir ate lá, estar em outro palco, sentir outro contato com as pessoas. O artista tem que ir onde o povo está”.

Ela destaca ainda outra vantagem: “vender os discos. As pessoas fazem questão de comprar”, disse.  Algo que também aconteceu com o Escambau que esgotou o estoque de discos que levou na bagagem.

Já para Daneil Cavallin, do Marrakesh, a única opção que “supre a ambição de estar entre artistas que admiramos e ao mesmo tempo prover uma estabilidade” é expandir o território. “Acho que na prática a gente realmente tenta fazer a música que gostaríamos de ouvir e trabalhar com profissionais que admiramos em outras áreas também”.

Bons momentos e perrengues 
Uma viagem internacional seja bancada pelo próprio artista, seja a convite de um contratante estrangeiro ou com o dinheiro de um edital público ou privado tem em comum, segundo os próprios artistas, a alternância entre momentos criativos memoráveis e grandes perrengues.

Veteranos de mais de 70 viagens internacionais com suas bandas de jazz e MPB, o baterista Endrigo Bettega diz que uma turnê fora do país exige alto grau de profissionalismo. “A gente sempre leva o nome do país e da cidade aonde vai. A primeira coisa que nos perguntam é de onde somos. Por isso temos o cuidado de não falhar em nada, pessoal e artisticamente”, disse Bettega.

Para Caruso, o mais importante numa turnê abroad é “ se organizar e tomar precauções sobre as leis, costumes do país estrangeiro”. “A gente foi super precavido. Outra coisa é que para ficar tanto tempo juntos vivendo coisas boas e perrengues que sempre os há, é preciso ter uma energia boa circulando”, disse.

O mais importante numa viagem dessas, segundo Iria, é saber qual é o objetivo real da empreitada. “Você quer voltar com currículo mais gordo, alcançar milhares de pessoas, fazer contatos…É preciso ter proposito ou então tudo se perde e vira qualquer coisa. Evapora”.

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