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Babilônia, um recorte doido e real entre o cinema mudo e o falado

·4 min de leitura·Patricia Mannarino
Babilônia, um recorte doido e real entre o cinema mudo e o falado

Babilônia, de Damien Chalezze (La La Land) e produção da Paramount Pictures, estreia nesta quinta, 19/01.

Brad Pitt, Tobbey Maguire, Olivia Wilde e um elenco de tirar o fôlego surgem, inadvertidamente, a cada nova micro história que desfila na tela de Babilônia. O excesso de astros, cirurgicamente selecionados, exerce um enorme poder de atração sobre os espectadores. Em vão, imersos na sala de projeção, buscamos por um herói – alguém com quem nos identificarmos nas poucas horas em que fantasiamos viver outra vida através da mágica do cinema.

Em Babilônia, entretanto, as personagens irresistíveis têm destinos fugazes. A única protagonista, de fato, é a indústria cinematográfica.

Do mudo ao falado

Babilônia apresenta um recorte da verdadeira história do cinema, em especial sua transição do mudo para o falado e como isso impactou na vida dos astros e equipe técnica, desde a extinção da figura do frasista, interpretada por Li Jun Li (Quântico) – simplesmente maravilhosa no papel de Lady Fau Zhu, até os astros e estúdios que saíram do ar livre para galpões quentes, herméticos e sem ar condicionado (pois fazia muito barulho).

Li Jun Li como Lady Fau Zhu/Babilônia

Babilônia é polêmico, ousado, controverso, longo, escatológico e, além disso, real. Então, antes que você caia de paraquedas na sessão e corra o risco de ficar um pouco perdido, aqui seguem pequenas e despretensiosas dicas amigas, ok?

Ah, Babilônia

Não à toa, o nome entrega o que será visto nas telas. Embora muitos desconsiderem esse aviso “escancarado” e tenham se chocado com pontuais cenas lascivas, o nome do filme não é uma deferência aleatória. Ao contrário, é uma referência explícita ao sentido mais vulgar do Império destruído por Deus: luxúria.

Damien Chazelle, 37, vencedor do Oscar de Melhor Diretor com La La Land em 2016 (aliás, mais jovem diretor vencedor de todos os tempos) e  diretor do filme, confirma a óbvia escolha do nome ao site da Vanity Fair:

“é como a própria história de Los Angeles, basicamente o que a indústria cinematográfica inicial era, essa sociedade improvisada que foi construída muito rápido, dessa maneira desenfreada e imprudente”.

Sem protagonista

Como em outros filmes do diretor, o tema fala acerca do custo pessoal do sucesso. O protagonista de Babylon é Hollywood. Nesse contexto, as histórias de Jack Conrad (Brad Pitt), Nellie LaRoy ( Robbie) e Manuel (Diego Calva) são, somente, insignificantes e efêmeras aventuras humanas no berço da Sétima Arte.

Mais de 20 anos de pesquisa

Damien começou a trabalhar na história de Babilônia em 2000, assim que chegou em Los Angeles. O processo de pesquisa foi intenso, inconstante, crescente e assustador. E foi apenas em 2018 que Damien sentiu-se “confortável” para trabalhar no roteiro.

Referências

Para a construção do roteiro, Chalezze devorou ​​filmes mudos como Sunrise , Wings , The Docks of New York e The Passion of Joan of Arc ., que ele considera o “último grande suspiro” de sua era. 

“Comparando alguns dos últimos filmes mudos com alguns dos primeiros filmes sonoros, você vê imediatamente o quão brutal foi a mudança – que de repente a liberdade ao ar livre, a expansividade e a experimentação do cinema mudo ficam espremidas e enclausuradas em estúdios de som muito confinados, onde você mal consegue se mover porque eles ainda não descobriram como mover a câmera facilmente com o som”

Charles ‘Buddy’ Rogers e Clara Bow no filme de 1927 ‘Asas’
 

 “Os primeiros talkies (como eram chamados os filmes falados) são realmente limitados e parece uma perda total e catastrófica.”

Delírios de ótica

“Existe a estranha incongruência de, no meio daquele cenário [da cidade deserta], você ter tendas de circo malucas e montadas e sets de filmagem ao ar livre brotando do nada, com cores vivas e fantasias malucas”, diz ele. “Você está em um deserto da Califórnia, mas vira uma esquina e está na Europa medieval, ou em um vilarejo nevado nas Montanhas Rochosas, ou no deserto do Saara. Você vira uma esquina e é uma confecção completa.”

Chazelle revela ainda que “[Babilônia] era um nome usado para descrever Hollywood naqueles dias – a ideia de um lugar pecaminoso, uma cidade de decadência e depravação que estava indo para a ruína”.

Babilônia também tem um elenco muito ilustre composto por artistas fortes. Brad Pitt interpreta Jack Conrad, um personagem inspirado em John Gilbert, Clark Gable e Douglas Fairbanks; a atriz indicada ao oscar Margot Robbie interpreta Nellie LaRoy, uma combinação de personalidades como Clara Bow, Joan Crawford, Jeanne Eagels e Alma Rubens. Tobey Maguire interpreta a estrela do cinema mudo e arquiteto da Modern Hollywood Charlie Chaplin. O elenco do filme também inclui Jovan Adepo, Li Jun Li e Jean Smart, entre outros.

Tobbey Maguire e Brad Pitt (divulgação)

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