Estreia

Até os Ossos, uma história canibal pra assistir com Zet

·3 min de leitura·Patricia Mannarino
até os ossos

Bones and all |MGM | Warner Brother Productions

Até os Ossos (Bones and all) é literal. Tanto no sentido de fazer o que tem que ser feito “até os ossos” quanto o de assistir a uma história com poucos personagens. Poucos, bons e profundos. A história de amor entre um casal de canibais é cheia de metáforas e pensares.

Baseado no livro de Camille DeAngelis, Até os Ossos vai fazer você ficar pensando nele por algum bom tempo – mas isso também é óbvio, pequeno e acanhado – coisa que “Até os Ossos” não é. O relacionamento antropófago que se torna o fio condutor da história, não é a história principal. Mas poderia ser. Entretanto, Bones and All é cheio de histórias paralelas e, apesar de tudo, é uma trama enxuta, densa e aqui um aviso para portadores de estômagos sensíveis: em alguns momentos as cenas são bem gráficas.

A saga de Maren

Bones and All é a história de Maren, personagem de Taylor Russell, e sua condição no mundo. Abandonada quando pequena por sua mãe, a garota chega à maturidade criada pelo pai e fugindo de cidade em cidade. Cansado, o pai larga Maren com alguns trocados e a certidão de nascimento de sua mãe, de quem Maren pouco sabia.

Esse é o momento de virada da personagem, a partir do qual passamos a acompanhar a saga de Maren pelo país (EUA) em busca de sua mãe. Para ela, a mãe é como um repositório de esperança, o descanso de um caminho maldito, a chave de si mesma. No percurso, gente estranha. Tão estranha quanto ela, e a descoberta de que, enfim, Maren não está sozinha. Entre pessoas nefastas, Maren encontra o amor. E mais não falo para não estragar a história.

Um roadmovie com trilha pra colocar na playlist

(Aparentemente o Spotify não liberou a exportação da trilha para fora da plataforma. Pena. Espero que você ouça no seu tocador preferido. Vale a pena)

Uma pessoa em especial chama sua atenção: o jovem Lee (Timothée Chalamet)  . Os dois se apresentam com graduações de caráter e temperamento que nos aproximam do sofrimento do casal.

Entretanto, uma vez na estrada, Maren começa a se conscientizar da verdadeira escala da comunidade canibal por meio de interações casuais com seus membros e admiradores (uma participação especial do diretor David Gordon Green é especialmente memorável a esse respeito).

Há também uma cena perturbadora de domesticidade desordenada quando Maren encontra sua avó – uma performance arrepiante, mas emocionalmente poderosa de Jessica Harper de Suspiria. O elenco, de fato, é fundamental para as surpresas do filme, ainda mais quando Chloë Sevigny faz uma aparição inesperada.

Vale a pena ver de novo sim

Se eu veria de novo? Sim, assim como se assiste de tempos em tempos a O Iluminado. Porém, Até os Ossos não é um filme de terror, apesar das cenas de sangue, gráficas, bem feitas. Bones and All é um filme que faz pensar sobre destino, genes, vícios e o desejo maior de vencer a si mesmo, mesmo quando isso é uma aposta perdida.

Direção

Luca Guadagnino é o italiano que mantém o nível de maestria e tensão de Bones and All. Mas não se engane, não é um filme de terror, apesar de ser chocante, com cenas gráficas e um sangue muito bem feito – observe o tom de vermelho.

Até os Ossos tem estreia oficial no dia 1º/12, mas já está em cartaz desde o dia 24/11.

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Patricia Mannarino
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