Quinteto Piazzolla revive mito do tango em concerto único na Ópera de Arame

“É o mais perto possível que conseguimos chegar de um concerto de Astor hoje em dia”, garante Laura Escalada.
A viúva de Astor Piazzolla (1921-1992) se refere ao show que o Quinteto Piazzolla fará no próximo dia 10 de novembro, às 21h na Ópera de Arame em Curitiba. A banda faz parte do projeto Fundación PIazzolla criada por Laura em 1995, dois anos após a morte do mito da música argentina, para resguardar o legado de sua obra.
No palco, segunda Laura, o público curitibano poderá ver “cinco músicos excepcionais executando o melhor da obra dele. São cinco solistas juntos que entendem bem o sentido que Astor quis dar aos temas e arranjos”. Destaque para o bandoneonista Lautaro Greco e para o guitarrista Germàn Martinez.
De Roma, onde vive, por telefone, a jornalista e viúva do compositor garante que o frescor com que o quinteto ataca a obra de Piazzolla a faz ainda se surpreender com a música revolucionária do marido.
“Ele [Piazzolla] não foi entendido quando surgiu. Chegou a ser combatido pelos colegas mais velhos e os da mesma geração também”, explica Laura. “Os jovens sempre entenderam melhor as novidades que Astor trouxe para a música mundial e isto continua igual, os mais jovens são os que melhor assimilam a música dele”.
Revolucionário do Tango
Piazzolla foi o grande compositor argentino do século XX responsável por revolucionar e popularizar o tradicional ritmo argentino. O tango de Piazzolla se funde com o jazz e a música clássica e incorpora ritmos e instrumentos (como a guitarra elétrica, cello e perussão) que não faziam parte do menu original do tango tradicional.
Sua música se popularizou a partir de clássicos como "Adios Nonino" (composta em 1966, quando morreu seu avô) e "Michelangelo 70" (citação da casa porteña, onde fez longas temporadas), até os temas da trilha sonora do filme "Tangos – o exílio de Gardel", dirigido pelo espanhol Carlos Saura em 1986.
Esta mistura aliada a forma de tocar bandaneon em pé, quando a tradição era tocar sentado, o fizeram ser recebido com reservas pelos tradicionalistas. Hoje, porém a influência de Piazzolla na musica latino americana e mundial é incontestável.
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