Teatros

Em peça, detetive Bizinelli desvenda crimes da Lava Jato em pleno Terminal Guadalupe

·2 min de leitura·Sandro Moser
Em peça, detetive Bizinelli desvenda crimes da Lava Jato em pleno Terminal Guadalupe

Ele está com o aluguel atrasado na pequena sala no Terminal Guadalupe. Ele estudou por correspondência no Instituto Universal Brasileiro. Ele torce para o Paraná Clube subir para a primeira divisão e só se alimenta no “polo gastronômico asiático” ao redor do terminal. Seu melhor amigo é um pombo daltônico, chamado Dalton.

Ele é Leonel Bizinelli, detetive particular. É isso que, pelo menos, está escrito na porta do seu escritório.

Bizinelli é o personagem criado pelo ator e comediante Fábio Silvestre, que estrela a peça Bizinelli – Um Homem Abaixo da Lei. Depois de estrear, em julho, sempre com casa cheia, a peça retorna em temporada em todas as sextas-feiras de agosto sempre, às 20h, no Teatro Barracão EnCena.

Conforme explica o próprio Fábio Silvestre, o espetáculo é uma comédia noir e política. Ele conta que começou escrevendo os textos para que a peça fosse uma comédia sobre um detetive resolvendo seus casos no Terminal Guadalupe. “Quase uma crônica ao melhor estilo do Ed Mort, do Luís Fernando Veríssimo, e outros detetives sem escrúpulos em séries e filmes”.

Porém, ainda que não fosse a intenção do autor, as investigações de Bizinelli acabaram desembocando na operação Lava Jato. Ele e Dalton se veem às voltas com políticos corruptos e malas de dinheiro. “Fui ‘coercitivamente’ convidado a aumentar a sátira política na escrita. A gente está há três anos ouvindo isso todos os dias. As pessoas queriam isso e o Bizinelli também acabou entrando na história”.

Noir curitibano

O pontagrossense Fábio Silvestre é um nome conhecido no humor nacional, tanto no teatro quanto na tevê, por suas atuações em programas como A Praça é Nossa, no SBT, e Treme Treme no Multishow. Também é autor de mais de uma dezena de peças, um longa metragem ao lado do cartunista Benett e de diversos roteiros de comédia para televisão e web.

Ele conta que resolveu escrever sobre o universo do Terminal Guadalupe pois gosta de escrever sobre a própria realidade. “Eu peguei muito ônibus ali. Ali é o verdadeiro noir curitibano. Até a arquitetura ajuda para ver aquele cenário em preto e branco”.

O detetive Bizinelli é só um dos personagens que surgiram naquela região. E no caso do detetive curitibano, já nasceu com vários “subprodutos”. “Minha vontade é fazer uma graphic novel e uma série de contos com o personagem”.

Curitiba sai mais barata com o Clube

Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.

Assinar o Clube Gazeta
S
Sandro Moser
O amigo que sempre sabe o lugar bom em Curitiba.
Assine o Clube Gazeta
descontos na cidade inteira
Assinar