Em peça, detetive Bizinelli desvenda crimes da Lava Jato em pleno Terminal Guadalupe

Ele está com o aluguel atrasado na pequena sala no Terminal Guadalupe. Ele estudou por correspondência no Instituto Universal Brasileiro. Ele torce para o Paraná Clube subir para a primeira divisão e só se alimenta no “polo gastronômico asiático” ao redor do terminal. Seu melhor amigo é um pombo daltônico, chamado Dalton.
Ele é Leonel Bizinelli, detetive particular. É isso que, pelo menos, está escrito na porta do seu escritório.
Bizinelli é o personagem criado pelo ator e comediante Fábio Silvestre, que estrela a peça Bizinelli – Um Homem Abaixo da Lei. Depois de estrear, em julho, sempre com casa cheia, a peça retorna em temporada em todas as sextas-feiras de agosto sempre, às 20h, no Teatro Barracão EnCena.
Conforme explica o próprio Fábio Silvestre, o espetáculo é uma comédia noir e política. Ele conta que começou escrevendo os textos para que a peça fosse uma comédia sobre um detetive resolvendo seus casos no Terminal Guadalupe. “Quase uma crônica ao melhor estilo do Ed Mort, do Luís Fernando Veríssimo, e outros detetives sem escrúpulos em séries e filmes”.
Porém, ainda que não fosse a intenção do autor, as investigações de Bizinelli acabaram desembocando na operação Lava Jato. Ele e Dalton se veem às voltas com políticos corruptos e malas de dinheiro. “Fui ‘coercitivamente’ convidado a aumentar a sátira política na escrita. A gente está há três anos ouvindo isso todos os dias. As pessoas queriam isso e o Bizinelli também acabou entrando na história”.

Noir curitibano
O pontagrossense Fábio Silvestre é um nome conhecido no humor nacional, tanto no teatro quanto na tevê, por suas atuações em programas como A Praça é Nossa, no SBT, e Treme Treme no Multishow. Também é autor de mais de uma dezena de peças, um longa metragem ao lado do cartunista Benett e de diversos roteiros de comédia para televisão e web.
Ele conta que resolveu escrever sobre o universo do Terminal Guadalupe pois gosta de escrever sobre a própria realidade. “Eu peguei muito ônibus ali. Ali é o verdadeiro noir curitibano. Até a arquitetura ajuda para ver aquele cenário em preto e branco”.
O detetive Bizinelli é só um dos personagens que surgiram naquela região. E no caso do detetive curitibano, já nasceu com vários “subprodutos”. “Minha vontade é fazer uma graphic novel e uma série de contos com o personagem”.
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