O “circo de horrores” de Alice Cooper é uma aula insana de rock em Curitiba

Tem muito de filme de horror B, de circo de horrores, das lutas de telequete e das histórias em quadrinhos nas performances de Alice Cooper. Mas nada disso teria a menor graça se não fosse a música.
Na noite deste sábado (23) em Curitiba, o veterano artista entregou seu “pacote completo” para quem pagou para assisti-lo na Live: todos os truques e a diversão teatral que se espera de seus shows aliado ao rock n' roll potente que faz desde o final da década de 1960. E valeu cada centavo.
Numa semana que vai entrar para a história com três grandes shows em cinco dias na Live, o de Alice Cooper além de ter sido o que levou mais público, foi o mais prazeroso de todos.
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Destaque para a banda com três guitarras lideradas pela incrível Nita Strauss que roubou a cena várias vezes com sua técnica e carisma. Outro que brilhou sozinho foi o baterista Glen Sobel, sempre apresentado pelo patrão como “o melhor baterista do rock”.
Um show de Alice Cooper não é parecido com nenhum outro. Cada canção tem a sua narrativa e cenografias próprias.
Cooper encarna diversos personagens: o louco internado a força num manicômio, o paranormal, um charlatão, o cara que mata a própria mulher e vive com a culpa. Copper morre duas vezes: eletrocutado na cadeira elétrica e depois guilhotinado. Depois exibe a própria cabeça como um troféu.
O palco é montado como um quarto de um adolescente atormentado com palhaços diabólicos, fantasmas, aranhas viúvas-negras subindo pelas paredes. Os vários “brinquedos” de Alice são tirados de um grande baú e ele conta com a ajuda de uma assistente em cena como um mágico de um circo de horrores. Há bolhas de sabão, sangue, facas caixões, câmaras de gás, fogo e cadáveres em cena.
Durante Feed My Frankestein ele se transforma numa criatura gigante, criatura gigante mas repito, nenhum recurso teatral resistiria se não fosse a grande música que ele e sua banda fizeram. A performance vocal de Cooper perto dos 70 anos impressiona.
Como conhece do riscado e sabe agradar seu público, Cooper concentrou o repertório no seu período mais criativo. Usou pouco de seu material mais recente, o disco recém-lançado ("Paranormal"), e deu foco especial no produtivo na década de 1970 até o início dos 1980.
O setlist começou com “A Brutal Planet”, “No More Mr. Nice Guy” e “Under My Wheels”, seguido de um impressionante solo de Nita Strauss, guitarrista da banda. Depois, como um maestro louco com batuta e cartola, Alice Cooper comandou uma sequência de hits. Ele a e a banda parecem se divertir tanto quanto a plateia.
Às vezes a banda usava todos os clichês do hard rock, porém dá pra ponderar que foi Alice Cooper quem criou muitos deles, então está liberado.
No final, depois de apresentar a matéria de todos os pesadelos possíveis, Cooper termina de forma catártica com o hino School’s out (que fala sobre aquele que é um grande pesadelo para muitas pessoas a obrigação de ir à escola).
A banda emenda com um citação a Another Brick in The Wall e o espetáculo termina com Cooper com a camisa da seleção entre papel picado, bexigas e outras pirotecnias. Uma aula de rock. No final se despede à sua maneira: “Vocês são paranormais. Tenham todos pesadelos horríveis”.
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