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Depois das drogas, baixista do Aerosmith diz que banda está sóbria e promete melhor show em Curitiba

·4 min de leitura·Sandro Moser
Depois das drogas, baixista do Aerosmith diz que banda está sóbria e promete melhor show em Curitiba

Sobreviventes da era dos excessos e ícones do hard rock, a banda Aerosmith volta a Curitiba para um único show no dia 27 de setembro na Pedreira Paulo Leminski. Membros do Clube Gazeta do Povo têm 50% desconto na compra de até dois ingressos.

A banda, formada pelos “garotos maus de Boston”, em 1971 já conheceu todos os lados bons e ruins de uma vida dedicada ao rock. Sucesso e fracasso. Brigas públicas, separações, acidentes e muitas, mas muitas drogas mesmo foram constantes nestes 46 anos de vida, como afirma o baixista Tom Hamilton em entrevista exclusiva ao Guia Gazeta do Povo. Ele acredita, porém, que a banda hoje passa por seu melhor momento em toda a carreira.

“Eu acho nós estamos tocando melhor do que em qualquer outra época”, disse. “Individualmente, estamos todos mais fortes. Ninguém mais usa drogas ou perde energia com bobagens. Acabamos há dois meses a turnê europeia e toda esta viagem tem sido fantástica. No palco, a mágica está acontecendo. Faremos o melhor show”, promete.  

O entusiasmo contrasta com a noticias que emanava do Aero há um ano, quando a banda cogitava fazer uma turnê de despedida dos palcos. Hamilton garante que isso ficou para trás.“A gente sentou mesmo para conversar sobre o futuro, se voltaríamos a sair em turnês. O sentimento geral foi de que enquanto as coisas estiverem acontecendo, enquanto os nossos fãs nos apoiarem, o futuro está aberto pra nós, temos muita coisa pra fazer”.

Um dos fundadores da banda, o baixista reafirma uma frase comum dos músicos de grandes bandas de rock dizendo que tocar na América do Sul é o auge.

“Estamos empolgados. É sempre um momento especial para uma banda de rock quando chega a hora de tocar na América do Sul. É outro tipo de entusiasmo, uma energia muito forte. Talvez só no Leste Europeu tenha algo parecido".

Veja como foi o show do Aerosmith em Curiiba em 2013 aqui.

A formação atual do Aerosmith não é exatamente a original, mas é a que levou a banda ao sucesso mundial. Além de Hamilton, estão Steven Tyler (vocalista), Joe Perry (guitarrista), Brad Whitford (guitarrista) e Joey Kramer (baterista).

"O sucesso pode ser traiçoeiro", diz Tom Hamilton

"Estamos tocando melhor do que em qualquer outra época”.

O público que for à Pedreira em setembro vai ver um show completo de duas horas (maior do que aquele que a banda fará seis dias antes, no Rock in Rio).

Em setembro, Curitiba será uma espécie de filial do festival carioca, recebendo vários dos artistas que lá vão se apresentar. Além de curtir sucessos como Walk This Way, Amazing, Dream On, Janie's Got a Gun e Cryin', o público poderá encarar novamente a banda que escolheu durante um longo tempo o caminho do excesso em sua carreira. A banda passou todos os anos 1970 e 1980, entre turnês intermináveis e problemas graves com drogas e demônios pessoais.

Em sua autobiografia, O Barulho da Minha Cabeça Te Incomoda? (2011), o vocalista Tyler calcula ter gasto pelo menos US$ 20 milhões em narcóticos de todos os tipos.

A banda "desapareceu" no final dos 1980 e reapereceu com tudo na década seguinte, mas os problemas não se resolveram até esta década, em que parece que a fricção entre Perry e Tyler, responsável pelo sucessos e fracassos da banda, parece ter sido resolvida de vez, junto com as bem sucedidas sobriedades de todos os integrantes.

"Com o passar dos anos a gente aprendeu muita coisa. Tocar junto com esses caras é uma coisa tão poderosa que nós percebemos que não poderíamos colocar tudo a perder. Mas muita coisa teve que acontecer até esse dia. Todos nós tivemos nossos problemas com drogas e temos nossos problemas de personalidade, mas no final, sempre sabemos que há uma coisa muito especial que nos une”, disse.  

Hamilton diz que está recuperado dos problemas de saúde que o rondam desde 2006, quando ele anunciou que estava tratando um câncer na garganta. A doença o deixou quase um ano fora da banda – foi a primeira vez que o Aerosmith fez shows sem Hamilton desde 1971.

No começo de 2007, os médicos disseram que ele estava curado, porém em 2011, o câncer voltou. Hamilton precisou passar por um novo tratamento. No momento, o diagnóstico diz que ele está livre da doença.

Olhando em retrospectiva para a carreira do Aerosmith, Hamilton disse que não tem arrependimentos, mas entendeu melhor o valor da vida. “Perdemos muito tempo e algumas oportunidades pelo jeito que nos comportávamos. Dinheiro pode ser uma coisa muito destrutiva. Passávamos longos tempos sem nos falarmos, a não ser na estrada, e usávamos nosso tempo e dinheiro para comprar coisas que não deveriam ser compradas. É preciso ter cuidado com o sucesso. Às vezes, ele é muito traiçoeiro”, filosofa.

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