Cinema

Filme sobre Bruce Lee mostra como o kung fu venceu a boçalidade

·3 min de leitura·Bruna Covacci
Filme sobre Bruce Lee mostra como o kung fu venceu a boçalidade

Se você gosta de artes marciais não há dúvidas: “A Origem do Dragão” é um filme que você deve assistir no cinema. Os motivos são vários, o filme narra o confronto entre um dos maiores mestres das artes marciais e astro do cinema Bruce Lee, com o lutador Wong Jack Man, em 1964.

A luta teria acontecido num local fechado, diferentemente dos desejos de Bruce Lee, com menos de 10 testemunhas. Bruce Lee disse que venceu. Wong refutou essa declaração. Não tem como saber o que realmente aconteceu, já que as testemunhas também se dividiram sobre o resultado.

O fato aconteceu em São Francisco, na Califórnia, dois anos antes de Bruce Lee estourar na televisão como “O Besouro Verde” e, basicamente, só a luta de “A Origem do Dragão” daria um bom filme. As coreografias são perfeitas e impressionantes (e com o one-inch punch, é claro) – e aqui repito: se você gosta de artes marciais, vá ao cinema.

Mas o romance hollywoodiano deixa sua marca com um enredo onde um aluno de Lee se vê dividido entre a arrogância do mestre original e a sabedoria e contemplação de Wong. Na narrativa, o diretor George Nolfi se esforça para retratar a boçalidade de Bruce Lee e a sua ambição.  

Qual o propósito da arte marcial? O filme deixa claro que depende (e não há problema nisso). Aqui entram as diferenças entre esporte de combate, defesa pessoal e arte marcial, por exemplo. Em “A Origem do Dragão”, a dificuldade que Bruce Lee teve para ensinar kung fu a brancos é explorada – mas não pelo esporte, e sim pelo seu propósito. Filosofia a qual, em grande parte do enredo, Lee não parece se importar. É boçal e egocêntrico. “Ele ensina a dar porrada”, conta um de seus alunos ao encontrar Wong e ser perguntado sobre o que aprendia.

O confronto entre os lutadores, no entanto, faz com que Bruce Lee repense nos seus conceitos. No filme, se diz que o “Jeet Kun Do”, sistema de luta criado pelo artista marcial, surgiu depois do embate, quando Wong fez Lee perceber que o seu estilo de Wing Chun (kung fu) estava limitado.

Do conflito, também teria saído a lição famosa do artista sobre “ser água”. “Esvazie sua mente. Não tenha formatos como a água. Quando você coloca água em um copo, ela se torna um copo. Quando você coloca água em uma garrafa, ela se torna uma garrafa. Você coloca em uma chaleira, ela se torna uma chaleira. A água pode fluir ou destruir. Seja água”, declarou em várias entrevistas que deu ao longo da breve carreira, já que faleceu com apenas 32 anos, vítima de um edema cerebral.

Aos românticos das artes marciais, mais um ponto para o filme. A trama fala sobre o equilíbrio para se tornar um lutador completo: é preciso mais do que técnica. “O seu kung fu é tecnicamente perfeito, ele só tem um problema, você”, fala Wong sobre a exibição de Bruce Lee durante um campeonato de artes marciais. Enquanto para aqueles que encaram a luta como um esporte ou método de defesa isso não passe de um exagero, para muitos artistas marciais ou puristas de práticas orientais, é preciso mais.

“A Origem do Dragão” tem a urgência de retratar o seu homenageado – e parece que a questão entre a ação e a biografia surge mais como impossibilidade do que escolha. Aqui, falamos de Bruce Lee o ator. No entanto, apesar de parecido fisicamente, o ator Philip Nig (Bruce Lee) não tem as mesmas habilidades e nem representa uma inovação.

As cenas apelam para a montagem acelerada – diferentemente do que era feito na época de outras gravações, como “Operação Dragão”. As tiradas cômicas ficam perdidas e “A Origem do Dragão” se torna um filme pastelão, como os de Bruce – só que sem o que há de melhor nos longas de antigamente: a atuação verdadeira e a marcialidade perfeita de Bruce Lee, algo que não pode ser imitado, nem copiado. A WWE Studios, liga de telecatch americana, financiou o filme.

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