Textos clássicos de autores consagrados. Adaptações de grandes obras literárias e peças premiadas. Espetáculos que chamam atenção pela polêmica que podem suscitar ou pela inusitada construção de suas montagens.

Três das principais atrações da Mostra 2018 do Festival de Curitiba estão com os ingressos esgotados: “Grande Sertão: Veredas”, “Preto” e “A Visita da Velha Senhora”.

Assim, é preciso se apressar para não perder mais nenhuma atração quente do Festival de Curitiba que começa em pouco mais de duas semanas com uma escalação de peças tão eclética quanto interessantes entre seus mais de 400 espetáculos entre os dias 27 de março a 8 de abril.

Os ingressos para os espetáculos da Mostra vão de gratuito a R$ 70 (inteira) mais taxa administrativa. Os preços para os espetáculos do Fringe variam de gratuitos a R$ 60 (inteira), além da taxa administrativa. Podem ser comprados nas bilheterias oficiais no ParkShoppingBarigüi e no Mueller, além do site.

Entre experiências e grandes acontecimentos do teatro contemporâneo, a curadoria feito pelos artistas Marcio Abreu e Guilherme Weber, o Guia Gazeta do Povo + Clube separou 10 delas para você se programar:

Gira e Dança Sinfônica

28 e 29 de março às 21h – Teatro Guaíra - Mostra

O espetáculo de abertura do Festival fica a cargo do Grupo Corpo, respeitadíssima companhia de dança contemporânea criada em 1975, em Belo Horizonte. O grupo apresenta um programa duplo no Festival de Teatro de Curitiba: Dança Sinfônica, obra criada em 2015, por ocasião da comemoração dos 40 anos da companhia e Gira, sua mais recente criação. Segundo os curadores do festival, a peça faz z celebração da identidade nacional através da leitura do diretor Paulo Pederneiras, do coreógrafo Rodrigo Pederneiras e da banda Metá Metá de “ritos religiosos que recriaram no Brasil uma África simbólica e sua memória de origens fundantes”.

Domínio Público

29 e 30 de março às 21h – Teatro da Reitoria - Mostra

Um dos espetáculos que deve causar bastante debate é a peça “Domínio Público”, por reunir em uma mesma peça vários personagens de obras distintas que geraram diferentes opiniões investigações e críticas no ano passado.

No elenco está o coreógrafo Wagner Schwartz, que realizou a performance La Bête, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), onde ficava nu e podia ter o corpo manipulado pelos visitantes. Elizabeth Finger, a mulher que incentivou que sua filha de 5 anos tocasse o corpo nu de Schwartz, também estará na peça. Fazem parte do elenco ainda Renata Carvalho, a travesti que encenou a peça "O Evangelho Segundo Jesus", Rainha do Céu, no papel de Jesus Cristo, e o curitibano Maikon K, o artista que surgia nu, dentro de uma bolha, na obra DNA de Dan e chegou a ser preso durante o espetáculo em Brasília.

Leia mais sobre a peça aqui.

Boca de Ouro

31 de março as 21h e 01 de abril às 19h – Teatro Guaíra - Mostra

Festival de Teatro brasileiro que se preze tem que ter pelo menos uma peça do Nélson Rodrigues (1912-1980). Nesta edição do Festival de Curitiba; uma das mais interessantes.

A história do violento bicheiro carioca que trocou sua arcada dentária por uma de ouro. A peça escrita em 1959 não foi bem entendida de pronto pelo público. No ano seguinte, virou filme dirigido por Nélson Pereira dos Santos e estrelado por Jece Valadão.

A trama é narrada em flashback do ponto de vista de um repórter que investiga o passado do bandido após sua morte. Malvino Salvador faz o papel-título e Mel Lisboa faz Dona Guigui, amante do bicheiro. A montagem de Gabriel Vilela foge do realismo entre o lúgubre e o carnavalesco com uso da musica para criar o contexto da época. Uma das apostas certas do festival.

Salomé

28 e 29 de março às 23h – Garagem do Guairinha - Mostra

O mito bíblico de Salomé e sua versão teatral pelo escritor irlandês Oscar Wilde são o ponto de partida da peça do dramaturgo, escritor e compositor Fausto Fawcett e a direção é de Carolina Meinerz da Cia. Do Urubu. 

A peça será levada na garagem do Guairinha, no horário incomum das 23h. O texto tem a linguagem urbana e poética singular de Fawcett e como o material de divulgação propaga é uma “longa música cheia de nuances, um hino progressivo rock cheio de ataques punk metal de forró pé de serra elétrica hard core”.

Suassuna

5 e 6 de abril às 21h – No Teatro Guaíra - Mostra

Com direção do também ator Luiz Carlos Vasconcelos e texto do autor paraibano de literatura fantástica Bráulio Tavares. Neste musical, a Cia. Barca dos Corações Partidos homenageia o escritor paraibano Ariano Suassuna, que completaria 90 anos em 2017. Com canções de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, o espetáculo conta a história e as aventuras de uma trupe de circo-teatro para chegar a Taperoá – terra de Ariano. O espetáculo teve 43 indicações a prêmios e já ganhou alguns dos mais importantes como o de melhor musical Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Vamos Fazer Nós Mesmos - Let’s do It Ourselves

2 de abril às 21h e 3 de abril às 17h30 e às 21h – Teatro do Sesc da Esquina - Mostra

Esta peça musical do coletivo holandês Wunderbaum faz parte da série The New Forest, baseada na cooperação entre os integrantes do grupo e numerosos parceiros, voluntários e espectadores.

A companhia selecionará 15 pessoas que tenham desenvolvido trabalhos voluntários para a comunidade a fim de participar do espetáculo. Para participar da seleção, basta se inscrever pelo site.

A peça fala sobre o fim do estado de bem-estar social e a sociedade participativa emergente com estética punk com influências do submundo e uma seleta gangue autônoma, apresentada no palco, numa espécie de comício propagandista às avessas.

Ballet, Sangue e Mistério no Clube dos Cantores Alemães

9 de março a 7 de abril - Sede Concórdia do Clube Curitibano - Fringe

O título da peça faz menção ao espaço onde ela será encenada, a belíssima antiga sede do Clube Concórdia, hoje do Clube Curitibano cujo nome original era Deutscher Sängerbund (Clube dos Cantores Alemães, em uma tradução próxima), fundado em 1887.

A montagem é inspirada na obra da “Rainha do Suspense”, Agatha Christie, cuja trama gira em torno de como a famosa personagem Miss Marple desvenda um assassinato ocorrido em um casarão situado em Londres no ano de 1938. Todas as 11 personagens envolvidas são suspeitas.

Blackbird

04 e 5 de março às 21h - Mini-Guaíra - Aud. Glauco Flores de Sá Britto - Mostra

Dirigida por Bruce Gomlevsky, a partir do texto escrito pelo dramaturgo escocês David Harrower em 2005, inspirada num caso real de um crime sexual.

Uma mulher de 27 anos e um homem de 56 anos, se reencontram quinze anos depois de terem tido um relacionamento amoroso, quando ela tinha 12 anos e ele 41. A peça foi encedora do Festival Internacional de Edimburgo e do Prêmio Laurence Olivier Award, recentemente na Broadway.

Doze Flores Amarelas

3 (Ensaio Aberto) e 4 de abril (Pré –Estreia) às 21h – Teatro Guaíra - Mostra

Uma das estreias do Festival , a esperada ópera rock dos Titãs conta a história de três garotas todas chamadas Marias que são violentadas por colegas em uma festa de faculdade. A Trama dala de traumas e vinganças. O argumento foi escrito pelos três Titãs remanescentes – Sergio Britto, Tony Belotto e Branco Mello – e os dramaturgos Marcelo Rubens Paiva e Hugo Possolo.

Um Ricardo III

28 de abril a 8 de março às 20h - Espaço Cultural FALEC - Sala Ênio Carvalho - Fringe

A peça é uma adaptação da obra clássica de William Shakespeare em versão reduzida – das cinco horas de duração original para 50 minutos, com um formato de encenação que o diretor Rafael Camargo chama de teatro “mínimo”, só com o que é essencial de figurino, luz, cenário e sonoplastia. No elenco os atores Bruno Rodrigues, Chriris Gomes, Pagu Leal e Zeca Cenovicz.

Para não morrer

31 de março, 01, 05, 06 às 22h - Espaço Fantástico das Artes - Fringe

Adaptado da obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano , o espetáculo solo da atriz Nena Inoue conquistou o Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz em 2017. A peça aborda temáticas femininas e feministas atreladas a questões políticas. As histórias recriam a trajetória de mulheres célebres e anônimas que conseguiram transformar o seu meio e as pessoas com as quais conviveram, especialmente na América Latina.