Eles são esquisitos. Eles são engraçados. Eles tocam muito e são adorados em Curitiba. A banda inglesa Toy Dolls, uma das mais técnicas e divertidas do punk rock mundial, volta à cidade no próximo dia 10 de agosto para um único show no Hermes Bar.

Os ingressos já estão esgotados há dias para aquela que será a quarta apresentação em Curitiba da banda liderada por Michael Algar, o Olga, e fundada em Sunderland, no norte do Reino Unido, no ano de 1979.

A atual formação dos Toy Dolls tem além de Olga, Tommy Goober (baixo) e Mr. Duncan (bateria).Os ingleses vão dividir o palco com as bandas No Milk Today, que celebram 25 anos de carreira, e os Filósofos de Bar.

Diversão e vigor punk
As “bonecas de brinquedo” fazem sucesso no Brasil pelo menos desde 1987, quando fizeram um show em São Paulo que entrou para o rol dos episódios lendários do punk rock nacional.

Muito pela postura peculiar da banda que começa no figurino: ternos e costumes retrô sempre em números menores do que o manequim dos membros. A instrumentação também sempre foi superior a tosquice habitual do punk rock e as letras são eivadas do melhor humor inglês que é aparentemente tolo, mas corrosivo. No Brasil, a banda amealhou um público eclético. Os “punks ortodoxos”, os “carecas” dos subúrbios, mas também surfistas e skatistas da classe média.

Show lendário no Aeroanta
Foi mais ou menos este público – com sotaque curitibano – que a banda encontrou quando fez seu primeiro show aqui, na lendária casa noturna Aeroanta.  Era a noite de 24 de junho de 1995 (como mostra o cartaz original do show na foto acima, do arquivo pessoal de Dudu Munhoz) e choveu quase tanto quanto no dia do único show dos Ramones em Curitiba, no ano anterior.

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“Foi o que se pode chamar de showzaço, com o Aeroanta totalmente lotado”, relembra Maurício Singer, dj e baixista do No Milk Today, que toca na abertura da noite. Em 1995, a banda de abertura foi o trio de hardchore Pinheads.

Ex-baterista da banda – e espécie de historiador do punk rock – Dudu Munhoz observa que o show foi visto por um “público sedento de punk rock”, pois os poucos de grandes bandas do gênero por aqui tinham sido New Model Army (no Coliseu), The Exploited (no Aeroanta), Fugazi (no 92 Degrees), além dos Ramones na Pedreira.

“O punk rock no meio dos anos 1990 estava no mainstream e este show foi mesmo histórico”, lembra. Munhoz conta que antes dos shows “os caras deram aula de profissionalismo passaram o som no horário, atenderam os fãs, deram autógrafos venderam camisetas e cds.  Para nós tocar com o Toy Dolls num lugar como Aeroanta era um sonho realizado”.

Ex-baixista e vocalista do Pinheads, o médico Paulo Kotze também destacou o os bons modos de Olga e sua turma. “Profissionalismo dos caras era total. Contrastava com nosso amadorismo. Era uma gurizada de um lado, e de outro lado uns velhos que tinham as manhas de uma vida de loucuras, sabendo administrar sua saúde...”

O músico, de bandas como Os Catalepticos e Sick Sick Sinners, lembra que com este tempor eram comum brigas entre punks e seus inimigos nos shows e ruas de Curitiba, mas que naquela noite reinou a paz. 

"Tudo era diferente naquela época, mas o show foi de boa. Sem treta nenhuma. O Toy Dolls é justamente a banda de união das tribos. Foi um show de rock' n roll animal em clima de festa". 

Olga, um gênio subestimado 
Demorou 11 anos para o Toy Dolls voltar a Curitiba, no mesmo imóvel agora rebatizado de Callas. O show foi menor, mas com os mesmos ingredientes diversão punk com muito humor.

Um terceiro show aconteceu, agora no mesmo imóvel que receberá o próximo, no Rebouças. “Minha filha tinha acabado de nascer e vi o show sóbrio”, conta Munhoz. “Pude ver claramente o quanto Toy Dolls é legal, alto astral e quanto o Olga é um cara subestimado na música e no punk rock. Ele toca canta e dança e interage. É um showman genial que deveria ser mais reconhecido”, disse.