“O Motorocker tem fãs mais famosos que a própria banda”, brinca o vocalista Marcelus dos Santos, fundador e líder do Motorocker.

Ele se refere a campeã de MMA Cris Cyborg que sempre aparece com a camiseta da banda ou treinando ao som do hard rock do quinteto. Ou ao apresentador Johnny Hoffmann, do canal Fish TV, mestre dos anzóis e fã declarado da banda.

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Aliás, falando em pesca, quem vê Marcelus se esgoelando nas performances vigorosas do Motorocker pelos palcos do Brasil talvez nem imagine que o músico, nas horas vagas, dedica grande parte de seu tempo à pesca de traíras nas cavas dos rios da Região Metropolitana de Curitiba ou peixes grandes em incursões ao Mato Grosso e ao Amazonas. 

O que difere a banda de hard rock criada em 1992 da maioria das bandas de Curitiba porém, é que além dos fãs célebres, o Motorocker conquistou e mantém uma legião de fãs fiéis que seguem a banda de perto e lotam os shows.

Uma medida desta popularidade poderá ser tirada na noite deste sábado (14), no Festival Crossroads – Dia Mundial do Rock, em que a banda de hard rock curitibano vserá a atração principal.

“Vai ser um momento muito importante para nós pois vamos tocar ao lado de bandas muito boas como o Macumbazila, muitos amigos e nossos ídolos do Blindagem”, disse Marcelus.

O Motorocker entra no palco 00h40 do domingo, horário nobre do palco principal da festa com a missão de levantar a galera e defender uma reputação amparada por números e fatos de peso. 

No quase desaparecido mercado de discos, a banda conseguiu vender 30 mil cópias de seu álbum Igreja Universal do Reino do Rock, lançado em 2006.

O clipe da faixa-título deste álbum já chegou a 700 mil visualizações no Youtube. Veja o clipe abaixo: 

A banda tem outras marcas como ter feito o show de abertura dos shows de pesos–pesados como Guns N' Roses e Kiss e ter tocado no Rock in Rio, numa noite que ficou marcada como o maior deslocamento de fãs (cerca de mil malucos pelo Motorocker) para ver uma banda local tocar fora da cidade.

Na estrada como o ‘cara-preta’

A banda também tem seu próprio ônibus, um Busscar Scania, conhecido como ‘cara-preta’, ano 1991, um ano a mais que a própria banda. “São 26 anos na luta, uma vida. Até hoje não podemos descansar temos que estar na estrada que no fundo é o que a gente gosta de fazer”, disse. Assim o ‘cara-preta’ vai cair na estrada de novo neste segundo semestre, em tour pelo interior do Paraná e litoral.

Leia aqui como é uma noite na estrada com o Motorocker. 

Sobre ter um ônibus próprio, Marcelus explica que “não é luxo, é necessidade. “A gente viajava de van. Na ponta do lápis, cada viagem era uma parcela de um ônibus. De avião, as passagens são mais caras que o show”.

O “cara-preta” tem seis camas individuais, uma de casal, geladeira e micro-ondas. Sempre com o motorista Zé Luís na boleia, já rodou por 20 estados brasileiros.

Novo disco só quando “o povo se acalmar”

Um novo disco do Motorocker já está praticamente pronto. Batizado provisoriamente de Bala na Agulha, só deve, no entanto, sair no final do ano ou no começo de 2019, pois a banda não quer errar o timing do lançamento. 

“Vamos deixar passar as eleições e ver se as pessoas param de ficar espumando uns com os outros nesta polarização política e começam a pensar em outra coisa. Fazemos nosso trabalho com muito capricho então queremos que o povo preste atenção", diz.

A formação atual do Motorcker é Marcelus dos Santos (vocais), Juan Neto (bateria), Silvo Krueger (baixo) e Luciano Pico (guitarra).

Em 2017, a banda sofreu uma alteração marcante, o guitarrista Thomas Jefferson saiu para se dedicar a seu projeto solo e Eduardo Calegari, das bandas Jack Vermouth e Hells Bells, assumiu a segunda guitarra. “[Eduardo Calegari] já era nosso grande amigo e fã da banda. Sabia todas as músicas e é um ótimo guitarrista. Então ele entrou jogando. Todos estamos muitos satisfeitos”, afirma Marcelus.

Salve a ‘malária’

O som do Motorocker, claramente influenciado pelas grandes bandas de hard rock surgidas na década de 1970, é chamado por Marcelus de “rock brasileiro”. “É uma tropicalização da linguagem criada pelos americanos e pelos europeus”, teoriza.

As músicas compostas em maior parte por ele falam do cotidiano das pessoas simples das cidades brasileiras. “Faço música sobre o que eu vivo e sinto. Não sei inventar”. 

O maior hit da banda, o clássico Salve a Malária capturou um sentimento e o modo de viver do fã de rock das periferias de Curitiba.  “Eu sempre quis escrever sobre a nossa galera, com aquela linguagem falada nas vilas de Curitiba”.

A letra fala da rotina dos moradores dos bairros da cidade que se encontram com pouco dinheiro e muita disposição no Largo da Ordem nos finais de semana. Neste sábado, quando a banda começar a tocá-la todo mundo vai cantar junto. Por que o Motorocker fala a mesma língua que o seu público.