Não há morador de Curitiba que não saiba da fama da Acrótona Sopas e Pizzas, restaurante no centro antigo de Curitiba. Das memórias que o nome suscita estão relatos de encontros nos anos 1980, lanches na madrugada e o inequívoco “de vez em quando ainda peço sopa lá”.

A localização e o ambiente da casa carregam a aura da mítica madrugada curitibana, das quais também fazem parte o Gato Preto e a Cantina Baviera. Estão lá há 44 anos o mesmo assoalho de madeira escura, as mesmas luminárias de vidro colorido e os mesmos quadros bucólicos e de natureza morta. Os pratos à la carte continuam sendo servidos em travessas, mesmo os individuais. E, há quase 24 anos, Vilmar de Nez é parte do mobiliário.

Vilmar era um rapaz de Laranjeiras do Sul, recém-chegado a Curitiba, quando começou a trabalhar no caixa da Acrótona. Era 1995, e aquela não era a primeira vez que ele entrava no casarão antigo da Rua Cruz Machado. “Alguns anos antes eu tinha vindo visitar minhas irmãs na capital e elas me trouxeram aqui para jantar”, relembra o hoje proprietário da Acrótona. “Mas nunca imaginei que acabaria comprando o restaurante”, completa.

Desde 2003 no comando da casa, Vilmar ainda estudava Administração quando, junto de outros dois funcionários, comprou parte do restaurante da família Hoffmann. Luiz Hoffmann foi quem inaugurou a casa em 1974 e, reza a lenda, serviu a primeira pizza quatro queijos de Curitiba. Em cerca de dois anos, Vilmar comprou a parte dos outros dois sócios e segue como único proprietário.

Pouca coisa mudou com o novo proprietário: parte da cozinha virou uma nova área do salão; a sopa deixou de ser servida à la carte para virar um buffet fixo (R$ 29 por pessoa), mesmo nos dias mais quentes. As pizzas ganharam um novo tamanho, com 12 pedaços; e a categoria de carnes foi ampliada, incluindo cortes como mignon e mais massas. Na foto, o mignon com fettuccine Alfredo na porção para duas pessoas (R$ 70).

“Para nós, no inverno, é como a temporada de verão no litoral. Precisamos contratar gente extra, abrir em alguns domingos. O salão chega a girar três vezes”, comenta Vilmar, usando o jargão de quem trabalha em restaurantes – a expressão significa que todas as mesas do restaurante estiveram ocupadas três vezes na mesma noite. A escada que leva ao salão chega a ter fila de espera por mesas. Sempre foi assim, especialmente entre abril e agosto, quando Curitiba faz jus à alcunha de capital mais fria do Brasil.

O expediente na cozinha da Acrótona começa sempre igual: fazendo as massas de pizza e calzone e preparando as sopas do zero. No verão, a casa serve de seis a oito sabores de sopa diariamente, número que duplica na temporada fria. Não podem faltar as sopas eslava, milho, canja e a canjica doce. Feita com carne, batata, cenoura e molho vermelho com béchamel, a eslava (foto) é a mais pedida.Tem quem volte cinco, dez anos depois à cidade e encaixe uma visita à Acrótona só para prová-la.

Das memórias de Moisés Sardinha, garçom na casa desde 1995 (entre indas e vindas), a luz baixa do salão e os casais enamorados que lotavam o salão. “Quando tinha os cinemas de rua em Curitiba, a gente sabia o horário do cinema pelo movimento. Vinham levas de casais de namorados, que saíam da sessão direto para cá”, relembra. As luzes duplicaram a potência e hoje quem enche as mesas são famílias.

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