Se você acessar o site do grupo argentino Fuerza Bruta em busca de informações mais detalhadas sobre seus espetáculos e o que esperar deles, não vai encontrar muita coisa. Além de um vídeo com imagens das performances da trupe, há apenas uma definição vaga e misteriosa: “Bem-vindo a uma experiência coletiva, de sensibilidade universal, sem tradução, nem anestesia. Brutalmente feliz...” Muito provavelmente porque a experiência proporcionada pela companhia não é para ser descrita com palavras, mas para ser sentida presencialmente. 

Essa mistura inclassificável de música, dança, acrobacia, artes cênicas e efeitos especiais já passou por mais de 40 países e foi vista por mais de 6 milhões de espectadores. A partir do próximo dia 22, os curitibanos terão a oportunidade de entrar nesse grupo de privilegiados. Pela primeira vez em seus 16 anos de história, a companhia desembarca em Curitiba, onde realiza nove apresentações na Pedreira Paulo Leminski. Após uma passagem pelo festival Rock in Rio, os argentinos trazem à cidade seu espetáculo mais famoso, Look Up.

Para ter uma ideia de como é uma apresentação do Fuerza Bruta, vamos a algumas informações importantes. Primeiro: esqueça o formato tradicional da Pedreira, com a divisão entre público e palco. Toda a apresentação acontecerá em cima do palco de 500 metros quadrados, que será transformado em uma espécie de caixa escura, ocupada pelos artistas e pela plateia, limitada a mil pessoas por apresentação. Segundo: não há assentos, nem lugares fixos. Em pé, o público se movimenta e acompanha o espetáculo em 360 graus, de forma imersiva.

“Tudo faz parte do espetáculo, o teto, o chão, as paredes... a ideia é levar as pessoas a uma viagem sensorial, criar uma grande festa”, afirmou à Gazeta do Povo Diqui James, diretor artístico e criador do Fuerza Bruta. Durante aproximadamente uma hora e meia de espetáculo, não há diálogos. A música embala as performances, que acontecem junto do público e em meio a luzes, água e fumaça. Em determinado momento, uma piscina flutuante é posicionada sobre a plateia, que pode tocá-la e assistir a uma espécie de balé aquático.

Diqui estudou teatro no Conservatório Nacional, em Buenos Aires, onde procurou expandir os conhecimentos e técnicas sobre artes cênicas. Responsável por criar dois grupos teatrais, fundou em 2003 o Fuerza Bruta, uma companhia em que criatividade e experimentação seriam prioridade. “Usamos uma linguagem bastante popular, acessível a todas as idades e na qual o espectador não precisa ser um expert em Shakespeare para aproveitar o espetáculo”, explica o diretor.

A inspiração, de acordo com ele, vem de várias fontes, mas entre as principais estão o cinema – “sobretudo a velocidade e o ritmo” – e uma celebração bastante conhecida dos brasileiros, o carnaval – “é um espetáculo festivo, em que o público está dentro da cena”. Perguntado sobre a origem do nome da companhia, diz que remete à época de estudante, quando ele corria pelo pátio da escola gritando “fuerza bruta! Fuerza bruta!”. “O nome pode dar uma ideia de algo violento, mas não se trata disso. É uma energia forte, sem a linguagem intelectual, algo cru, bruto.”

Apesar de jamais ter vindo a Curitiba, o grupo já fez diversas apresentações pelo Brasil, a mais recente no festival Rock in Rio, com um espetáculo criado especialmente para o evento. Diqui diz que não teve a oportunidade de conhecer a Pedreira Paulo Leminski, mas garante que as referências e expectativas são as melhores. “O espetáculo vai da temperatura do show, cada plateia reage de uma maneira diferente. Com o Brasil sempre tivemos uma química muito boa e acredito que Curitiba não vai ser diferente.”

Um sonho enfim possível

Desde 2008, quando o Fuerza Bruta fez uma apresentação em São Paulo, que o produtor Patrik Cornelsen sonhava em trazer os argentinos para Curitiba. Onze anos depois, a agenda do grupo, aliada à conjuntura local, possibilitou que a companhia enfim se apresentasse em solo paranaense. “Naquela época não foi possível porque não havia uma estrutura que comportasse o volume de equipamentos necessário para o espetáculo. Com o palco da pedreira, isso se tornou mais viável”, diz o produtor da Planeta Brasil Entretenimento.

Com a estrutura necessária à disposição, Patrik também usou da agenda do grupo, que viria ao Brasil para a apresentação no Rock in Rio. “Coincidentemente, a equipe que apresentou o Look Up estava voltando de Cingapura e iria para a Argentina. Não havia nenhuma tour prevista nesse intervalo, o que permitiu que encaixássemos as apresentações em Curitiba”, revela o produtor.

Já são quatro meses de pré-produção, com a participação de aproximadamente 30 profissionais e 15 empresas contratadas. O resultado será uma estruturação inédita, a começar pelo estacionamento, que ficará dentro da pedreira. Para chegar ao palco, o público vai atravessar uma passarela montada especialmente para o espetáculo. “Será uma experiência completamente diferente, que vai desde a chegada e se estende para depois do espetáculo”, define Patrik.

Isso acontecerá especialmente na apresentação do dia 26, sábado, às 18h30. Na sequência do espetáculo, acontece a DJ Night, uma festa de música eletrônica em parceria com o Warung, tradicional clube de Santa Catarina. Entre os nomes que vão embalar a noite estão os DJs Leoz e Gromma, numa festa que se estenderá até a madrugada de domingo.