Ele foi a primeira casa com garagem de Curitiba. Foi lar de políticos importantes e até Getúlio Vargas já dormiu em seus quartos. O palácio São Francisco é a sede do Museu Paranaense desde 2003.

Tombado pelo patrimônio histórico na década de 1990, o casarão simboliza as transformações econômicas e políticas que o Paraná sofreu nos últimos 90 anos. Junto aos mais de 400 mil itens do museu que abriga, a casa é um capítulo a parte na memória do estado.

História

A casa foi encomendada pelo empresário do ramo frigorífico Júlio Garmatter. Saiu do papel entre 1928 e 1929 pelas mãos do engenheiro Eduardo Fernando Chaves. No total, são 30 cômodos, sendo oito quartos. A mansão foi a primeira residência de Curitiba em que a garagem dava acesso direto à entrada da moradia.

Em 1938, a mansão virou a sede do governo estadual e ficou conhecida como Palácio São Francisco até o último governador que lá viveu, Bento Munhoz da Rocha, mudar a sede do executivo para o modernista Palácio Iguaçu, no Centro Cívico.

O Palácio São Francisco serviu aos interventores Manoel Ribas, Clotário Portugal, Brasil Pinheiro Machado, João Candido Ferreira Filho, coronel Mario Gomes da Silva, Antonio de Carvalho Chaves e aos governadores Moysés Lupion e Bento Munhoz da Rocha Neto.

Durante a visita a Curitiba em 1953, a convite do governo estadual para a festa de 100 anos da emancipação política do Paraná, o então presidente Getúlio Vargas passou uma noite no Palácio.

Antes de Getúlio assumir o quarto, seu chefe da guarda pessoal do presidente, Gregório Fortunato, fez questão verificar pessoalmente detalhes do aposento e teria assustado as camareiras do palácio segundo relatos da primeira-dama Flora Munhoz da Rocha ao historiador Jair Elias dos Santos.

Meses depois, Gregório foi o pivô dos acontecimentos que levaram ao suicídio de seu patrão ao contratar pistoleiros para a malsucedida tentativa de matar o maior desafeto de Getúlio, o jornalista e político Carlos Lacerda.

Foi Bento Munhoz da Rocha quem deslocou o poder executivo da velha sede para o modernista Palácio Iguaçu no Centro Cívico. No início da década de 1960, o prédio passou a servir ao Tribunal Regional Eleitoral, onde ficou até o final dos anos 1980.

Memória do período da erva-mate

Entre as exposições que o Museu Paranense abriga, há o memorial da erva mate, que reconstitui a vida da burguesia ervateira, que pode ser visitada a qualquer momento e não sai de cartaz. Apesar disso, pequenas alterações são feitas no material exposto.

Outra atração perene do espaço são as salas que reconstituem a vida de famílias abastadas da Curitiba do século passado. O Palácio São Francisco era o lar dos Garmatter, família dona de frigorífico que importou o projeto original da Alemanha na década de 1920.

Perto da sala da erva mate, dois cômodos reconstituem a sala de visitas e o banheiro de uma típica residência abastada da cidade naquela época. No banheiro, os revestimentos são os originais.