Quem passa pela Cidade Industrial de Curitiba talvez nem imagine que a Associação de Catadores da Vila Corbélia guarda diversos tesouros – todos eles encontrados nos caminhões de lixo e caminhões de recicláveis. A curiosidade dos catadores pelas peças antigas, que muita gente nem lembra mais para que serve, fez com que Dirceu da Silva começasse a reunir tudo o que achava interessante. Em 2014, começava a reunião dos primeiros itens do acervo do Museu do Lixo, que atende principalmente às escolas do município e abre em datas específicas.

Desde televisores antigos, máquinas de costura, ferros de passar da época de nossas avós. Na coleção, há uma gama de máquinas fotográficas que são capazes de delinear a evolução dos equipamentos fotográficos, revistas da década de 1950 e os mais diversos tipos de telefone – coisas que as crianças de hoje nem conseguem imaginar como funciona. 

Coleção de câmeras fotográficas encontradas por Dirceu em meio ao material reciclável. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo 

Essa história começa há cinco anos, quando Dirceu encontrou uma velha máquina de calcular entre o lixo reciclável. A peça chamou a atenção e ele então pensou que pudesse interessar a outras pessoas. “São peças que não tem mais serventia para as pessoas, mas que contam uma história. Poucas pessoas tem essa visão, mas temos que preservar a história”, conta o catador, que há sete anos trabalha com reciclagem.

Primeira peça encontrada por Dirceu, que iniciou o acervo do Museu do Lixo. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo 

Desde que começou esse trabalho, Dirceu incentiva os outros trabalhadores a guardarem as peças que acham interessantes. Nessa caça, encontraram até mesmo notas de dinheiro polonês, que não são usadas no país há mais de 50 anos. “Quando as pessoas idosas vão morrendo, os mais jovens querem colocar tudo no lixo. E nem prestam atenção nas raridades que existem por ai”, destaca Dirceu. 

Dinheiro polonês encontrado pelos catadores. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo 

Talvez a peça mais importante que os catadores tenham encontrado, seja uma pequena Bíblia escrita em alemão, com capa em madrepérola publicada no século 19. A peça chamou a atenção do prefeito Rafael Greca, que foi até o local e pediu a Dirceu que a peça fosse restaurada e levada para o Museu de Arte Sacra na Igreja da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba. 

Dirceu com o prefeito Rafael Greca: livro encontrado por catadores foi para o Museu de Arte Sacra. Foto: Reprodução/Facebook 

Mas não é sempre que Dirceu deixa que alguém tire as inúmeras peças da coleção. “Vem muita gente aqui, colecionador, querendo comprar peças, levar para antiquários. Mas a gente não deixa, o lugar delas é no nosso museu”, conta. 

A ideia é que a coleção seja colocada em um container do lado de fora do barracão, para facilitar a visitação. Desde que foi criado, o Museu do Lixo já recebeu várias escolas que levam os alunos para conhecer as peças e um pouco mais sobre o trabalho de reciclagem realizado pelos catadores. 

Dirceu da Silva em meio à coleção: colecionadores querem comprar as peças, mas elas não estão à venda. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo 

Além das peças antigas, Dirceu também criou uma biblioteca com coleções infantis, enciclopédias e diversos gibis encontrados no lixo. A criançada da região pode entrar, ler e levar para casa. “O importante é que tudo isso não acabe indo fora”, diz. 

Para agendas uma visita no Museu do Lixo, é só entrar em contato com Dirceu da Silva, presidente da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Corbélia no telefone (41) 99963-4792. A Associação fica na rua Rua Victor Grycajuk, 119 - Cidade Industrial de Curitiba (CIC).  

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