É como uma corrente. Um ciclo inevitável. A maioria das pessoas que vem a Curitiba – e quem vive aqui também - visita o Museu Oscar Niemeyer (MON) pelo menos uma vez.

E quem passa pelo “Museu do Olho” dificilmente não é atraído pela série de sete esculturas de madeira em forma cônica, expostas no vão livre do prédio projetado pelo arquiteto que dá o nome ao museu.

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Mais do que apenas olhar os “Cones”, nome da obra do artista plástico cearense Eduardo Frota, os visitantes se sentem tentados a tirar fotos com a superfície geométrica das peças como pano de fundo.

Segundo os funcionários do MON, os cones são os cenários campeões de fotos para os visitantes. Fazem parte da paisagem da cidade desde que em novembro de 2002, data de inauguração do museu. Na década passada, estavam nas fotos de perfis do Orkut. Hoje, são pano de fundo de selfies no Instagram.

 

Os cones do MON são pop. As pessoas entram neles, deitam. A direção do museu não sabe estimar quantos visitantes já passaram pela área externa no período em que as obras estão ali expostas. Nestes 15 anos, porém, três milhões de pessoas visitaram as mostras do MON. Boa parte já viu e interagiu com as peças.

“Eu acho bacanésimo”, diz Frota. “Este trabalho tem porção pública muito grande. Sem anteparo, sem essa de caixinha de acrílico. É para as pessoas tocarem, se apropriarem”, explica. Ao contrário das proibições de contato que em geral as obras de arte recebem nos museus, Frota incentiva o contato do público com seus cones. “Não há problema algum em entrar, em namorar lá dentro. Eu fico muito feliz se isto acontecer”.

Cones sensoriais sem pregos

Os cones chegaram no MON pelas mãos do curador Agnaldo Farias, responsável pela montagem inicial do espaço. As obras, explica Frota, foram criadas para a 27.ª Bienal de São Paulo, em 2002. O tema da mostra eram “Cidades”. E foi a partir dele que o artista criou o conceito de “objetos em latência”.

“Pensei numa megalópole. Em como ouvir o ruído. E criei estes captadores sensoriais. Eles têm um dado de experiência coletiva, mas também pessoal. Para todos e para cada um”.

Os cones são feitos em madeira industrial de reflorestamento (compensado), cortadas com serra elétrica, parte de uma produção que coloca Frota como autor de uma obra única na produção contemporânea brasileira. “Não há pregos, só cola e pinos”, revela o artista.

Frota tem apenas uma ressalva quanto a forma com que os cones estão presos ao solo e que ele tem visto em fotos e selfies que amigos lhe mandam. Ele sente falta das cunhas originais de madeira que sustentavam as peças e foram substituídas por armações brancas. “Tenho muito orgulho de ter minha obra em Curitiba neste museu maravilhoso. Mas museologicamente não está certo. É uma interferência na criação. Espero que arrumem. Vou procurar o pessoal do museu”, disse.