Que o filme Nada a Perder, cinebiografia autorizada do líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), Edir Macedo, é um sucesso ninguém discorda. O filme já atingiu R$ 93,8 milhões em bilheteria, se tornando pela quarta semana o líder de audiência nos cinemas brasileiros segundo dados da consultoria ComScore.

O filme é o primeiro de uma trilogia baseada nos best sellers de mesmo nome, que conta a história do bispo evangélico, desde a sua infância, até a criação da Igreja, mostrando também sua prisão em 1992, acusado de charlatanismo, curandeirismo e estelionato.

Só na pré-venda, o longa atingiu a marca de 4 milhões de ingressos vendidos. A marca batia até a de “Os Dez Mandamentos” (2016), outra produção da Iurd com direção do mesmo Alexandre Avancini, que encerrou a trajetória no topo da bilheteria nacional, com 11,3 milhões de ingressos.

A mesma polêmica também envolve os dois filmes produzidos para a Igreja Universal. A suspeita, comprovada pela reportagem da Folha de S. Paulo, é de que as bilheterias foram infladas - mesma situação verificada há dois anos nas exibições de “Os Dez Mandamentos”. A reportagem visitou 9 sessões em que o filme estava em cartaz, e encontrou dezenas de lugares vazios, mesmo que os ingressos nas salas estivessem esgotados.

O fato de ingressos terem sido presenteados a fiéis da Iurd, nem todos os quais compareceram às salas, explica os vazios - espectadores presentes nas sessões visitadas declararam que haviam ganhado as entradas. O jornal O Globo também compareceu há três sessões do filme. Nas salas com mais de 200 lugares, apenas 40 estariam verdadeiramente ocupados.

Guerra de avaliações

O filme também tem sido alvo de uma guerra de avaliações na internet. Em sites como o IMDb, o mais importante banco de dados de avaliação de filmes na rede, as avaliações estão divididas entre notas dez e notas 1 (a pior possível). De acordo com a Folha de S. Paulo são mais de 16 mil notas dez e quase 4 mil notas um. Os votos entre 10 e 1 não somam 400 avaliações.

A resposta da Iurd

A Igreja Universal do Reino de Deus lançou uma nota em que acusa a imprensa de tentar espalhar “fake news” (notícias falsas) sobre a lotação falsas das salas de cinema, tentando esconder o sucesso de bilheteria do filme. A Iurd ainda afirma que há um movimento espontâneo dos fiéis da Igreja para ir em grupos para assistir ao longa-metragem.

Sobre as avaliações do IMDb, a Igreja considera preconceito religioso por parte daqueles que afirmam que “robôs” estariam avaliando o filme. Para a Iurd, a concentração de notas 1 e 10 é um “triste retrato da sociedade”. “Há uma grande maioria que respeita e ama o trabalho da Universal. Mas uma pequena minoria tem verdadeiro preconceito contra a instituição”, diz a nota.

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