Era o ano de 1990 e o empresário André Cordeiro Miles andava encantado com a Dinamarca. Primeiro com a seleção de futebol daquele país. Então liderada pelos irmãos Laudrup, a “dinamáquina” havia feito belo papel na Copa de 1986 (dois anos mais tarde, seria campeã europeia).

Depois, André passou a pesquisar sobre o pequeno e ultradesenvolvido reino nórdico. “Assisti a um documentário sobre o país: vi os campos floridos, as crianças correndo, as pessoas vivendo com liberdade. Me deu uma sensação de paz”, conta.

Dinamarca virou o nome da empresa que ele montou no meio daquele ano: a Dinamarca Vídeo, locadora de filmes no bairro das Mercês (R. Jacarezinho, 1.287 ) que fecha as portas no próximo dia 30 de novembro.

Simpático e educado, André conta que trabalhou na locadora praticamente todos os dias nestes 27 anos. Quase 10 mil dias atrás do balcão em meio aos filmes. “Nunca passei um Natal, ano-novo ou Carnaval sem estar trabalhando. Nunca tirei uma folga”, diz.

Ele conta que se adaptou como pode e resistiu às mudanças do mercado de locadoras até onde deu, mas que agora é hora de fechar as pratas e colocar todo o acervo à venda.

“Quando comecei era difícil, pois havia muita concorrência. Então veio a tevê a cabo e abalou o negócio”, lembra. “A chegada do DVD deu um novo gás, mas então veio o costume da pirataria e agora a Netflix. É hora de parar”, vaticina.

André conta que tem clientes fiéis desde a primeira semana de funcionamento e que muitos estão inconsoláveis com o fechamento do espaço. “Fiz muitos amigos. A locadora virou um ponto de encontro e conversas. Eles me perguntam: como vamos fazer agora sem você?”.

Titanic e orgânicos

André lembra que alguns filmes figuram desde seu lançamento na lista dos mais locados. Principalmente filmes de amor dos anos 1990 como Ghost – Do Outro Lado da Vida, Titanic e Uma Linda Mulher.

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