Embora traga o nome de uma música de George Harrison e outra de Bruce Springsteen, é Bob Dylan quem dá ritmo ao longa-metragem "A Vida em Si", que estreou nesta quinta-feira (06) nos cinemas brasileiros.

"Life Itself", título original do filme em inglês, é uma daquelas produções que parece ter sido pensada com a clara proposta de levar os espectadores às lágrimas — e a trilha sonora é uma parte essencial dessa história.

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Construído em uma verdadeira dança com as canções de Dylan, o longa-metragem é centrado na vida de um casal, Will (Oscar Isaac) e Abby (Olivia Wilde), a quem o público assiste durante diferentes fases de suas vidas e relacionamento, em momentos doces e também nos mais trágicos.

Com uma narrativa não linear, “A Vida em Si” resgata momentos no passado e vai longe no futuro, buscando costurar memórias e atitudes dos personagens, de forma a retratar de que maneira as pequenas escolhas de uma pessoa podem resultar em grandes transformações não apenas para ela mesma, mas também nas vidas de pessoas completamente estranhas e distantes.

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Pelo olhar dos protagonistas, o roteirista e diretor de “A Vida em Si”, Dan Fogelman, instiga o espectador a refletir que tudo o que conhecemos da vida é, na verdade, apenas um recorte a partir de uma perspectiva, algo que não necessariamente se aproxima da verdade — ou, como a própria protagonista reflete, é um narrador não confiável.

Conforme a história se desenvolve, a trama incorpora personagens interpretados por atores como Antonio Banderas, Mandy Patinkin, Annette Bening e Olivia Cooke, além de Samuel L. Jackson, nomes já bastante conhecidos nos cinemas e que agregam muito para o bom desenvolvimento da história.

Como se trata uma produção muito focada nos seres humanos e seus sentimentos, ter no elenco nomes competentes é essencial para garantir um bom resultado. Atores talentosos que, com um close no rosto, conseguem transmitir toda a complexidade de um sentimento ou de um momento usando, para isso, apenas as expressões faciais.

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Junto à cativante trilha sonora, o elenco de “A Vida em Si” faz parte da fórmula de um drama capaz de emocionar mesmo as audiências mais duronas. Mas o grande mérito de tudo isso é de Dan Fogelman, o arquiteto que juntou — e depois desconstruiu tudo, como num grande quebra-cabeça — os componentes dessa obra.

Orquestrando sentimentos

Por trás do roteiro de animações como Bolt: O Supercão e Carros, além da série This is Us, uma das mais comentadas da atualidade, Dan Fogelman vem galgando seu caminho como argumentista e agora mostra que não apenas sabe criar uma boa história, como tem talento para moldá-la.

O filme recupera recursos narrativos bastante explorados no seriado, de forma que, embora a história seja completamente outra, a maneira de contá-la e sua linguagem sejam muito similares. Cada volta que a história dá é como uma onda, trazendo informações que não se conhecia até então, respondendo algumas perguntas e trazendo outras, que permanecem sem respostas até que o próximo ciclo aconteça.

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O cineasta explora com um olhar muito particular as incongruências da vida, chamando atenção do espectador para o fato de que, até para contar histórias tristes, é preciso saber sorrir. Até quando estamos lidando com as maiores tragédias, é preciso bom humor.

Dan Fogelman entende de sentimentos e consegue encontrar formas muito peculiares de explorá-los dentro de uma história, sem medo de colocar o dedo na ferida de seus espectadores, ainda que, às vezes, force a mão em algumas situações. A vida pode até ser um narrador não confiável, como defende a protagonista de “A Vida em Si”, mas o que o público vem aprendendo com os filmes e séries de Fogelman é que, pelo menos nele, podemos confiar.