Cinema

Filme Como Nossos Pais aborda ponto de vista feminino sobre família e rotina

·3 min de leitura·Marina Fabri
Filme Como Nossos Pais aborda ponto de vista feminino sobre família e rotina

Rosa é uma mulher de 38 anos, casada, e com duas filhas. Vive o dia a dia de muitas mulheres: trabalha (fora e dentro de casa), tenta conciliar a rotina de mãe, a de filha, a de esposa e ainda se esforça para não deixar morrer seus sonhos e anseios profissionais. Fazendo malabarismo para equilibrar tudo, tem a sensação de deixar todas as bolas caírem quando recebe duas graves notícias vindas da mãe – uma com relação a ela, Rosa, uma com relação à própria mãe.

Enquanto se sente frustrada e sozinha tentando resolver tudo, Dado, o marido, o típico “cara de humanas” é um pai amoroso, mas por vezes pouco presente, e que não consegue se conectar com a esposa.

“O legal desse filme é que eu não precisei ir longe para me inspirar – bastava bater à porta da minha vizinha, observar amigas, prestar atenção em situações corriqueiras no trabalho ou escola dos filhos”, conta a diretora Laís Bodansky, em entrevista ao Guia. Para ela, o longa é algo que causa fácil identificação por parte do público, já que é um sentimento comum de grande parte das mulheres. “Nos sentimos cobradas, represadas, oprimidas, esperam que sejamos sempre super mulheres, perfeitas – o que acontece com a Rosa é que uma hora ela percebe que pode seguir seus desejos sem culpa”, diz.

Como nossos pais?

O título, emprestado da música de Belchior (e famosa na voz de Elis Regina), é outro tema caro à trama: se há tanto que criticamos no comportamento de nossos pais, se tentamos tanto fazer diferente, por que uma hora ou outra nos pegamos fazendo exatamente o mesmo que eles fizeram? E por que isso nos frustra tanto?

“A vida é complexa”, responde a diretora. “Às vezes a gente repete coisas pela força do hábito. Às vezes criticamos sem refletir, reproduzimos um comportamento sem questionar – e falar que vai fazer tudo diferente também é fácil, difícil mesmo é fazer isso no cotidiano. Mas é muito importante pensar no que estamos passando para nossos filhos, no que queremos quebrar ou manter”, complementa. A faixa tema, inclusive, embala um dos momentos mais emocionantes do longa.

A escolha dos atores

Nos papeis de mãe e filha, um dos núcleos centrais do filme, estão Maria Ribeiro e Alice Abujamra. “Foi uma delícia trabalhar com elas – gosto de trabalhar com profissionais que dialoguem com meu trabalho, que foi exatamente o que aconteceu. Maria, por exemplo, passou anos discutindo essa questão da mulher moderna no Saia Justa”, explica.

Já Paulinho Vilhena, que complementa o outro eixo central da história como marido de Rosa, é “o pai que não dá conta, mas que tem muito amor”, diz. “Ele emprestou uma doçura para o papel que faz com que o homem não seja retratado como um vilão, minha história não tem o objetivo de pôr um gênero contra o outro – acho que isso ajuda a fazer com que todo mundo se veja um pouco em algum dos personagens”, explica a diretora.

Recepção e Oscar

Como Nossos Pais já foi apresentado em festivais como o de Berlim, na Alemanha, e o de Gramado, no Rio Grande do Sul. Até o final do ano, deve ser lançado também em países como Espanha, França e Turquia. “A recepção tem sido incrível, e queremos inscrever o filme para disputar a vaga para o Oscar, estamos otimistas”, finalista ela.

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